sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

02/01/2018

Aproximadamente às 17h do segundo dia do ano, no Ed. Chaplin - que fica em frente ao meu - uma moça pulou do sexto andar.
Da minha janela era possível enxergar duas viaturas da PM, um carro do corpo de bombeiros, um carro de socorrista e alguns curiosos espiculando.
O dia estava nublado, ligeiramente frio e ventava atipicamente.
A primeira versão - que eu não acredito- é a de que ela havia brigado com o namorado e então decidido ceifar a própria vida daquela maneira terrível.
Acredito que as pessoas que estavam ali não eram uma fonte confiável de informações, levando em consideração que há uma forte tendência nas pessoas em inventar histórias, principalmente em tragédias como essa. Segundo, que acho escrota a maneira como as pessoas reduzem os problemas da vida de uma mulher a um relacionamemto mal sucedido, ignorando o peso e as dores de viver em uma sociedade em que nos esmaga, oprime e exige que sejamos o que esperam. Ora, existem muitas outras angústias no coração de uma mulher que poderiam levar a uma situação extrema como essa.
A psicologia explica que o instinto humano é de preservaçã, a pessoa que atenta contra a própria vida não está apenas sofrendo, está doente.
Sei que existem muitos casos de mulheres desesperadas que tomam essa iniciativa por causa de um homem, um namoro e até casamento que não deu certo.
A mim, resta a tristeza porque as pessoas que estavam reunidas ali, apenas estavam preocupadas com o motivo e não com o fato. Ninguém se importa com nada.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Joaninha

Era uma manhã de sol, como outras tantas, mas aquela seria diferente.
Levantou sonolento, e logo avistou um pontinho na parede. Dormira acompanhado e nem sabia. Agora tinha uma nova amiga, que cuidava com zêlo: uma joaninha amarela.
Chegou empolgado da escola para brincar com ela, mas ao chegar aprendera uma de tantas lições que a vida ainda ensinaria: não se pode aprisionar quem nascera para voar. Reflexivo, ligou o velho vídeo-game e aos poucos foi como se ela nunca tivesse existido.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

O castanho dos teus olhos

Foi o castanho dos teus olhos que juntaram os pedaços quebrados dentro de mim.
Foram esses malditos olhos castanhos que tornaram sinuosas as estradas da minha vida, e numa dessas curvas, embriagada pelo mel dos teus olhos, eu me perdi e nunca mais encontrei o caminho de volta.
Através do castanho dos seus olhos, eu conheci as mais lindas e intensas cores que existem.
Enxergar o meu reflexo nos teus brilhantes olhos castanhos foi o que me trouxe paz, é o sentido de tudo.
Ah, esses olhos... eles alinham os planetas do meu Universo e fazem com que eu nao queira encontrar o caminho de volta.
Cada vez que meus olhos fitam os seus, é como se o Sol estivesse nascendo dentro mim, com toda sua imponência, luz e calor.
O brilho dos teus olhos castanho, me ilumina, me aquece e me hipinotiza.
Garoto, teus olhos castanho são a coisa mais linda que eu já vi.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

A cidade dorme

A cidade dorme lá fora e aqui dentro tudo é barulho e confusão.
Eu olho pela janela, procurando em meio aos inúmeros prédios vizinhos, outra janela acesa. Encontro uma ou duas.
 Nessas raras luzes da madrugada, sinto-me compreendida por aqueles que também não dormem.
Embora eu não os conheça e, tampouco saiba o motivo por estarem acordados às 3h30, penso que talvez ali também more um coração inquieto, barulhento e confuso.
Ás vezes a única coisa que a gente quer, é sentir que faz parte de algo, e eu me sinto parte quando as poucas luzes acendem na madrugada.
Como eu queria que me vissem, que soubessem que também estou em agonia.
Eles nem sabem, mas suas luzes acesas confortam o meu coração enquanto os outros dormem.

sábado, 4 de setembro de 2010

Corredor da morte

Passos pesados e vagarosos, um passo a mais significava um passo a menos. A angústia de estar cada vez mais perto era quase tão grande quanto a de ainda estar tão longe.
O corredor era extenso, silencioso e branco, muito iluminado, os zumbidos das lâmpadas frias eram de dar nos nervos; vez em quando se escutava uma sucessão de “tocs tocs”, som de mais passos pesados e vagarosos.
De minuto em minuto, pensava na vaga idéia de mudar o sentido, direção e velocidade dos passos. Naquele momento era apenas um corpo em movimento; a expressão estava vazia, o ar tornou-se denso, dava sensação de frio, mesmo tratando-se de uma noite de verão, as mãos frias e molhadas.
É de fato incrível em quantas coisas a mente humana é capaz de pensar em apenas um segundo, o psicológico faz os ponteiros do relógio correrem e esquecerem-se de completar uma volta ao mesmo tempo, torna-se uma tortura, batalhas sem vencedores.
Faltavam somente alguns passos, a respiração perdeu o ritmo, a mão trêmula esticou-se contra vontade para girar a maçaneta... Sem saber o que aconteceria e como aconteceria. De olhos fechados a coragem chegou tímida. A porta foi aberta, e do lado de dentro estavam todos de pé, com expressões sérias; ficou nítido que ninguém sabia lidar com a situação, o silencio que sucedeu após a abertura da porta praticamente gritava por uma explicação plausível. Uma sirene ao longe quebrou o silêncio, interrompendo a exigência que o mesmo fazia; sucessões de “tocs tocs” agora cada vez mais rápidos pesaram o clima, os olhos de todos que ali estavam pousaram alarmados sobre a protagonista. Lágrimas escorreram caladas e vagarosas pelo rosto branco e delicado.
Quanto mais tempo se passava, mais chances eram desperdiçadas, chances que não voltariam e tempo que não poderia ser recuperado.
Já completava três dias sem noticias, bombardeios de descobertas que não fariam nenhum pai feliz; a duplicidade foi a forma que encontrou para encarar a vida.
Ela pensara em tudo. Escreveu, em seus papeis cor-de-rosa com desenhos infantis, contando onde esteve e descrevendo sua personalidade até então desconhecida por quase todos, nunca fora a filha desejada; explicações questionáveis agora já não importavam mais. Só se sabe a dor de perder um filho quem possui um. Assim fora sua vida, só compreendia quem acompanhava a dor, o medo, as noites em claro...
E foi assim, com lágrimas silenciosas, o ar denso e todos a olhando, em um movimento meticuloso, sacou uma arma da bolsa empoeirada, sem responder a nenhuma pergunta, sem citar uma palavra, apontou para sua cabeça, bem atrás da orelha e antes que qualquer um pudesse ao menos entender o que acontecia, puxou o gatilho.
Instantes antes havia pensado em deixar seu rosto intacto, para que lágrimas ensaiadas pudessem escorrer sobre seu cadáver.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Um poema que não é meu

Hoje o sol resolveu não sair
Minha vontade era continuar a dormir
Porém o relógio me despertou
E em um toque a cidade acordou

Não é porque o sol não nasceu que eu não vou acordar
Não é porque o tempo parou que eu vou parar
Não porque a lua não apareceu que eu não vou sonhar
Não é porque você me deixou que eu vou deixar de te amar

E assim tive que acordar
Para viver um novo dia
Sem o sol, sem você sem a melodia
E o tempo chuvoso parece me acompanhar

Quero voltar a ter um lugar
Onde seja possível avistar
O sol namorando o luar
E você seja capaz de me amar

Não é porque o tempo passa que eu amadureço
Não é porque não luto que tenho medo
Não é porque te amo que nunca te esquecerei
Não porque está chovendo que irei me molhar


Por Iuri Siqueira