terça-feira, 28 de setembro de 2010

.-.-.-.


Existem erros que não posso perdoar, mentiras que não consigo esquecer, dores que não sou capaz de suportar. As pernas fraquejam, o coração acelera a tal ponto que em meio a todos os barulhos do mundo meu coração ferido e enfurecido é tudo o que ouço.
Nessas situações questionamos: “cadê Deus?” “por que eu, porque comigo?”; perguntas essas que são cuspidas com lágrimas, desespero e muita dor.
A morte é tão doce e sedutora... Ela chega quando estamos só, acaricia nossos cabelos, afaga nossos rostos, oferece-nos um colo e soluções para os problemas que pensamos estarem perdidos, age como uma mãe carinhosa, por fim oferece-nos seu beijo; um beijo doce, calmante, anestésico e letal.
Pouco a pouco meu coração que antes era repleto de bondade, amor e pureza, vai se fechando, já está tão ferido e ensangüentado... Um coração de gelo que não comporta qualquer outro sentimento que não seja a dor.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A dor que tua ausência me causa.

Sinto cada vez menos a tua presença, dei-me conta de que já passou um ano.
Sua falta me faz sangrar repetidamente, dia após dia, causando uma dor que não cessa.
Entendo sua recente partida como uma libertação e não como esquecimento, você não pode me esquecer, não a mim, não eu que tanto te amei!
Mesmo que nenhuma palavra tenha sido dita, nossos olhos fizeram a promessa de que nossas almas estariam juntas para sempre.
Há um ano derramo as lágrimas mais ásperas que um ser pode possuir, cada gota representa uma súplica de saudade e desespero. Vazio.
Lembra, meu amor, quando nossos olhos pairavam sob um mesmo plano e olhos nos olhos, nossas almas eram nítidas um ao outro?
De olhos fechados quase consigo te sentir, seu calor, sua respiração... No entanto ao abrir os olhos encontro-me só, apenas com o delírio de te ter mais uma vez. Não tire isso de mim, é a maior prova de que você esteve aqui.
Foi amor, foi puro, foi verdadeiro, foi e é. Não me abandones mais uma vez, já é difícil o suficiente ter que prosseguir sem sua presença física, não mande sua alma para longe, longe de mim. Desde que você se foi, me restaram poucas ou nenhuma certeza; a sua alma pertence a mim, não tens o direito de levá-la, é só o que tenho. É tudo que possuo.

sábado, 18 de setembro de 2010

T-E-M-P-O


Tenho imensa saudade de um tempo que não me pertenceu, de um luxo que não desfrutei; recordo coisas que não vivi.
Do tempo em que não havia eletricidade; a querosene dos lampiões escurecia as paredes. Que saudade tenho disso, os banhos no inverno eram desconfortáveis, a medicina era precária e morria-se aos 40 anos, a vida era um pouco tediosa e o sexo desconfortável por causa da pele de coelho, era isso ou povoar o município de fazendas.
Os dias eram mais longos, a vida era quase sem propósito, a aventura que conhecíamos era um grande amor proibido. Nascíamos, crescíamos um pouco, então nossos pais faziam um acordo com outra família: casamento; crescíamos mais um pouco, escola, Igreja e lições de como ser uma boa esposa. Casávamos e reproduzíamos.
Com a falta do que fazer surgiu a Inquisição, afinal, a vida precisava de mistérios e ação. Qualquer ato incomum era considerado bruxaria, e muitos atos eram considerados suspeitos. A falta do que fazer também era um clima propício para fofocas, que sempre eram iniciadas pelo grupo de mulheres viciadas em Igreja.
A Igreja manipulava as informações que seriam repassadas ao povo (e cá para nós, não era melhor assim?! Não tínhamos preocupações, a vida resumia-se em nosso vilarejo), quanto mais ignorante o povo melhor para a Igreja.
O direito da mulher aos estudos exigiu muita luta. Saímos vitoriosas!                                       
À céu aberto tudo era pecado, à quatro paredes éramos os pecadores que mais mereciam o inferno.
 A vida era tão simples. Procurávamos problemas onde não existiam, só para passar o tempo.
Não sangrar na noite de núpcias era uma desonra a família, com direito a morte. Essa era a parte ruim, assim como o desconforto da carroça.
Ser nobre significava não fazer esforços físicos e não tomar sol, essas condições tornavam a vida ainda mais tediosa. Sem obrigações domésticas...
Os bailes eram mais freqüentes, os vestidos belíssimos; sinto falta dos espartilhos, emolduravam a cintura, dançávamos todos iguais.
Respeitar aos mais velhos era lei, quando jovens éramos contrários a muitas atitudes que tomavam e relação a nós, quando chegávamos à idade deles compreendíamos que tudo fora para nosso bem.
São essas coisas que me fazem falta... Uma vida simples, sem correrias.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

"Eu te amo"



Amor é mais do que parece ser, mais do que uma palavra de quatro letras, para alguns até um sentimento, amor é mais do que ilusão, um pseudo-sentimento, define-se em uma mentira bem contada.
Quando ouvires “eu te amo”, fujas! Não sabes o perigo da expressão... Muitos não sabem, os que sabem usam como uma arma, usam para atacar, machucar, destruir, manipular; é um(a) incalculável covarde aquele(a) que usa tal (falso) sentimento de má fé.
São letras, trata-se de uma frase mecanizada, usada com segundas intenções, lançar tal frase é como envenenar alguém com cicuta fingindo ser um doce, deliciar-se enquanto vagarosamente morre-se de amor.
“Eu te amo”  traz consigo uma mensagem subliminar que se não ou mal interpretada resulta em graves conseqüências, “eu te amo” é uma forma cruel de dizer: “gosto muito de você no momento mas vou falhar, quando você mais precisar não estarei lá, não segurarei sua mão, não enxugarei suas lagrimas, não direi palavras doces, prometerei ser para sempre e quando você fechar os olhos ou virar as costas irei embora sem ao menos me importar com o que vai pensar”.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Ponto de Vista.


Raul Seixas escreveu uma musica cujo titulo é “A maçã”, ele revela seu modo de encarar amor e fidelidade, Raul Seixas mostra-se contra a monogamia quando diz: “... como posso te privar da beleza de deitar?”, assim permitindo que sua esposa pudesse ter um relacionamento extraconjugal, caso ela não quisesse, ficava avisada de que ele o faria sem peso na consciência.
Esse não é um modo exclusivo de Raul Seixas de pensar, existem em vários lugares do mundo comunidades poligâmicas, onde apenas o homem tem o direito de ter  outras mulheres.
A questão não é a poligamia ou a fidelidade, mas sim os diferentes modos de compreender a vida e quantos problemas surgem com o choque de idéias tão diferentes; a Palestina (território disputado por Judeus e Muçulmanos por questões religiosas) seria um bom exemplo.
É provável que também existissem problemas caso todos pensassem igual; o ideal seria uma maleabilidade dos dois (ou mais) lado, infelizmente falar em mundo ideal é quase piada.
 Quão infeliz pode ser uma pessoa submetida a idéias contrarias as suas, não podendo fazer nada para mudar a situação, seja um filho sob as rígidas regras de um pai, ou um povo submetido a ditadura de um governador.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Hasteando Bandeira Branca


Começou assim por causa de uma sala de vídeo.
As pessoas que conhecemos e que passaram pela nossa vida determinam em uma porcentagem muito grande quem seremos/somos. Pelo menos comigo foi assim.
Aprendemos juntas, crescemos (emocionalmente) juntas, descobrimos a vida juntas, foi na transição de criança para mocinha, digamos assim.
Não tenho vergonha em dizer, em postar esse texto, sinceramente não vejo motivo algum para vergonha.
Guardo no coração as boas recordações, risadas, conversas sem noções, consolações, medos mútuos, inseguranças, companheirismo, a amizade, o trabalho de escola da sétima série em que fizemos uma propaganda "a la Polishop" e a sacada do meu apartamento.
Quatros anos... Quatro anos de aprendizagem.
O tempo passou erros e acertos, diferentes pontos de vista e mais risadas; talvez risadas não tão leves mas ainda sim momentos alegres.
A vida sozinha não é coerente, assim como o tempo, a morte e as pessoas, então vieram todos eles combinados: tempo, pessoas, vida e morte; a morte é dolorosa, de imediato nunca a compreendemos, porém morte também significa renovação.
Os quatro elementos combinados intervieram, deixaram tudo de cabeça para baixo, e como a morte, dor, saudade, revolta... O tempo passa, e superamos uma perda, não esquecemos, mas superamos, nos reerguemos e tocamos a vida com um novo sorriso no rosto. Um sorriso mais experiente.
Acabou no tempo em que tinha que acabar, acabou a tempo de sobreviver o respeito e a tolerância, morte também é renovação.
Guardo as fotos, as recordações, as risadas e as coisas de crianças, as lembranças ruins queimei e joguei ao mar.
Esse texto é para que UMA pessoa entenda.
Publicamente peço desculpas pelos eventuais erros. Obrigada por me ensinar, por ter passado pela minha vida, por não ter rancor, devo a você um grande feito em minha vida, um gesto seu que mudou minha vida permanentemente e eu jamais poderia “odiar”, guardar rancor de alguém que fez isso por mim.
Obrigada. Obrigada. Obrigada.
A sua jornada, desejo sorte.

Para M. L.           (nome abreviado para não expor a pessoa em questão)

sábado, 4 de setembro de 2010

Passos pesados.

Passos pesados e vagarosos, um passo a mais significava um passo a menos. A angústia de estar cada vez mais perto era quase tão grande quanto a de ainda estar tão longe.
O corredor era extenso, silencioso e branco, muito iluminado, os zumbidos das lâmpadas frias eram de dar nos nervos; vez em quando se escutava uma sucessão de “tocs tocs”, som de mais passos pesados e vagarosos.
De minuto em minuto, pensava na vaga idéia de mudar o sentido, direção e velocidade dos passos. Naquele momento era apenas um corpo em movimento; a expressão estava vazia, o ar tornou-se denso, dava sensação de frio, mesmo tratando-se de uma noite de verão, as mãos frias e molhadas.
É de fato incrível em quantas coisas a mente humana é capaz de pensar em apenas um segundo, o psicológico faz os ponteiros do relógio correrem e esquecerem-se de completar uma volta ao mesmo tempo, torna-se uma tortura, batalhas sem vencedores.
Faltavam somente alguns passos, a respiração perdeu o ritmo, a mão trêmula esticou-se contra vontade para girar a maçaneta... Sem saber o que aconteceria e como aconteceria. De olhos fechados a coragem chegou tímida. A porta foi aberta, e do lado de dentro estavam todos de pé, com expressões sérias; ficou nítido que ninguém sabia lidar com a situação, o silencio que sucedeu após a abertura da porta praticamente gritava por uma explicação plausível. Uma sirene ao longe quebrou o silêncio, interrompendo a exigência que o mesmo fazia; sucessões de “tocs tocs” agora cada vez mais rápidos pesaram o clima, os olhos de todos que ali estavam pousaram alarmados sobre a protagonista. Lágrimas escorreram caladas e vagarosas pelo rosto branco e delicado.
Quanto mais tempo se passava, mais chances eram desperdiçadas, chances que não voltariam e tempo que não poderia ser recuperado.
Já completava três dias sem noticias, bombardeios de descobertas que não fariam nenhum pai feliz; a duplicidade foi a forma que encontrou para encarar a vida.
Ela pensara em tudo. Escreveu, em seus papeis cor-de-rosa com desenhos infantis, contando onde esteve e descrevendo sua personalidade até então desconhecida por quase todos, nunca fora a filha desejada; explicações questionáveis agora já não importavam mais. Só se sabe a dor de perder um filho quem possui um. Assim fora sua vida, só compreendia quem acompanhava a dor, o medo, as noites em claro...
E foi assim, com lágrimas silenciosas, o ar denso e todos a olhando, em um movimento meticuloso, sacou uma arma da bolsa empoeirada, sem responder a nenhuma pergunta, sem citar uma palavra, apontou para sua cabeça, bem atrás da orelha e antes que qualquer um pudesse ao menos entender o que acontecia puxou o gatilho.
Instantes antes havia pensado em deixar seu rosto intacto, para que lágrimas ensaiadas pudessem escorrer sobre seu cadáver.