terça-feira, 24 de agosto de 2010

Cotas.


Em um passado (não tão distante assim), por todo o mundo, quem possuía algum poder aquisitivo, possuía empregados/escravos que em sua maioria eram negros.
Chegava-se ao ponto de importarem negros, geralmente para trabalhar em fazendas_ sem remuneração_ praticamente sem alimento, recebendo apenas um lugar para pouso.
As mulheres negras eram obrigadas a deitarem-se com o fazendeiro quando o mesmo bem entendesse; eram as escravas negras, quem muitas vezes, amamentavam os filhos dos patrões. Os filhos de escravos eram brutalmente arrancados dos braços das mães e vendidos a outras fazendas.
Os negros, ao não realizarem uma tarefa adequadamente eram chicoteados até sangrarem ou eram espancados apenas para deleite dos Senhores. Eram tratados como animais, como raça inferior. Essa estória repetiu-se por anos a fio, até que em 13 de Maio de 1888, uma mulher. Princesa Isabel, conseguiu a Abolição da Escravatura (Lei Áurea) após muita luta.
Com esse triste episodio de tortura aos negros, surgiu o racismo, até os dias atuais há quem veja os negros como “raça inferior”. Devido a esses fatos, a sociedade, reconhecendo o negro como ser humano e derrubando a idéia de “raça”, tenta devolver a dignidade negra criando o sistema de cotas raciais, a idéia de negro como raça inferior ainda existe, com isso os negros praticamente não tem condições de um bom estudo. Acredita-se que um dia_ o dia em que os negros igualarem-se socialmente aos brancos_ o sistema de cotas não será mais preciso.
Muitas pessoas dizem-se contra ou a favor das cotas sem ao menos saber do que exatamente se trata.
Porem, os Judeus sofreram tanto quanto os negros ou mai, sendo perseguidos pelos alemães, sendo espancados e não tinham nem o direito de existir, “lei” imposta pelos Nazistas, e nunca ouvimos falar em “cotas para Judeus”.
A sociedade deveria “devolver a dignidade” de todas as pessoas que em algum momento sofreram algum tipo de preconceito: crianças sem pai, obesos, gays, prostitutas, pessoas presas por engano, ECT.
Viva a Democracia!

domingo, 22 de agosto de 2010

Aprende-se.



Nada foi em vão. Aprendi com o tempo, com pessoas e principalmente com a dor. O jeito mais eficaz de aprender. Nem sempre aprendi da melhor forma.
Aprendi _ por mais inútil que tenha sido_ que as ondas vem em seqüência de três.
Com o Victor, aprendi que a vida pede por loucuras de vez em quando e que não se deve levar tudo tão a sério. A E. me ensinou _via decepção_ que temos que valorizar apenas a quem nos valoriza. A Thais me ensinou que caso uma amiga precise, devemos sentar com ela no chão de um banheiro sujo e permanecer lá até acalmá-la. A Lyene me ensinou a ser uma pessoa melhor. O Leonardo me ensinou a fazer sanduíche de queijo com orégano. O Gabriel, esse me ensinou muito _via dor.
Aprende-se com o tempo que ninguém é confiável e que amor é sinônimo de utopia.
Amei quem hoje desprezo. Desprezei quem hoje amo. Desprezei, amei e desprezei de novo a mesma pessoa. (essa foi pra você E.)
O fato é que nada é em vão, até “perdendo tempo” aprende-se. As pessoas ensinam muito, positiva ou negativamente. Por isso sou grata, a cada pessoa que passou pela minha vida, direta ou indiretamente, e um “obrigada” especial ás pessoas que odiei e o sentimento era recíproco.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Como crianças...

Corremos, não porque estávamos com pressa, não para pegarmos o ônibus, não porque íamos a algum lugar, corremos como crianças, só porque nos deu uma vontade súbita de correr. Enquanto corríamos, ele segurava minha mão_ me senti tão segura e feliz_ não parávamos de rir. As pessoas nos olhavam, e para ser bem franca, eu queria mesmo que olhassem que vissem o quão feliz eu estava.
Senti uma liberdade e uma felicidade que não se explica.
Corri para lugar nenhum sem motivo algum.
Invejaram nossa felicidade, nossa leveza, nossa liberdade.
Parecíamos duas crianças descobrindo a vida.
Estávamos felizes só porque corremos. E correr com ele me transmite uma paz inigualável.
Esse episódio lembrou-me o verão desse ano. Molhamos-nos com a chuva por quatro dias seguidos, fechei meu guarda-chuva de baixo de um temporal e deixei me molhar. Quando a chuva parou pulávamos nas poças como crianças, só que dessa vez sem culpa, sem medo. A sensação de correr foi quase a mesma de pular nas poças. Mais uma vez, ele ao meu lado, me fazendo feliz.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Assim ele é.

Ele é assim. Carente, faz de tudo para chamar atenção, principalmente mentir.
Ele diz que sofre, no fundo penso que ele gosta da dor, faz pensar que ser assim as pessoas darão a tão esperada atenção, ele só não sabe que é a paixão pelo padecer que me afasta. Estaria disposta a segurar à mão dele caso a dor não fosse uma desculpa tola.
Suicídio, vida sem sentido, cortar os pulsos, tudo isso o define bem. Ele ainda não aprendeu que ser feliz depende de nós, é só querer, não entendo a vantagem que ele vê em chorar.
Ainda uma criança, não aceita que precisa amadurecer.
Pensa que a vida é um rascunho. Não tenho o dom de destruir contos de fadas, mas será preciso.
Às vezes pensa ser um super herói...
Diz desistir das pessoas e mais uma vez mente. Não sei quem ele é não sei como funciona sua cabeça. Derrubou um cristal fino e raro no chão e quase sem ver sapateou em cima. Até hoje procura os caquinhos para tentar colar, pedaços grandes derreteram em meio ao fogo do inferno e ele jamais encontrará.
Ele é uma criança que tenta ser homem. E por vezes falha.
Um menino que precisa de uma mãe, que precisa de um pai.
Precisa aprender o que pode e o que não pode. Não é bom em interpretação, precisa que lhe digam claramente.
Por muitas vezes faz graça, por outras ofende a pessoas com a intimidade que pensa possuir.
Um ser humano em evolução.
Uma criança que precisa ser carregada no colo...
Alguém descobrindo a vida.

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Hoje o sol resolveu não sair
Minha vontade era continuar a dormir
Porém o relógio me despertou
E em um toque a cidade acordou

Não é porque o sol não nasceu que eu não vou acordar
Não é porque o tempo parou que eu vou parar
Não porque a lua não apareceu que eu não vou sonhar
Não é porque você me deixou que eu vou deixar de te amar

E assim tive que acordar
Para viver um novo dia
Sem o sol, sem você sem a melodia
E o tempo chuvoso parece me acompanhar

Quero voltar a ter um lugar
Onde seja possível avistar
O sol namorando o luar
E você seja capaz de me amar

Não é porque o tempo passa que eu amadureço
Não é porque não luto que tenho medo
Não é porque te amo que nunca te esquecerei
Não porque está chovendo que irei me molhar


Por Iuri Siqueira

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O frio interno.

Não me sai da cabeça aquela cena, meus olhos vermelhos de raiva, seus olhos vermelhos de um choro mal fingido; por mais que suas lágrimas fossem falsas, eu sabia que você estava machucado no fundo da alma. Eu escondia um sorriso malicioso de felicidade por perceber a dor que minha raiva te causava.
Aos poucos meus olhos voltavam à cor normal, minha expressão fria se deliciava com seu desespero aumentando ao perceber que já não me importava mais.
Meus olhos não encaram mais os seus não com o mesmo amor, carinho e paixão que inundavam minha vida, minha mente voa para longe, para outro tempo, as lembranças espetam meu coração, faço delas uma fortaleza para encarar a vida sem fantasia.
Não há palavra que justifique, não há atitude que amenize o que foi feito, foi feito e isso não mudará. É a parte negra do seu passado, tatuado na alma, uma ferida eterna, que infelizmente não é só você que carrega.
Sangramos em função da mesma ferida, e o estranho é que te ver sangrar me faz rir_ porem não conforta. Está marcado, está gravado... Para sempre existirá: eu, você e o erro cometido.
Obrigada por destruir meus sonhos e mostrar que a vida não é piedosa.

domingo, 15 de agosto de 2010

Nublado.



Ás vezes me sinto em um filme antigo, preto e branco, a idéia de estar presa em uma caixa para sempre, invejando as pessoas que transitam livremente do lado de fora, e podem enxergar as cores da natureza, apreciar uma rosa vermelha e outra amarela...
De repente as nuvens escondem meu sol, o dia fica nublado, começa a chover, e pega a todos desprevenidos, caem gotinhas gélidas, concentramo-nos apenas no choque que as gotas frias causam em contato com nossa pele quente.
Quando tudo fica nublado, é difícil de enxergar as cores da natureza, apenas o céu fica cinza, mas para nós é como se todo o resto perdesse suas cores; as arvores continuam verdes e floridas, porem, quando chove, tomamos tanto cuidado para não escorregarmos que acabamos sem olhar para os lados.
É possível ver a beleza perante um dia gélido e cinzento? Há vida em meio às cinzas?
A chuva fria e o vento que sopra, esfriam nossas peles pouco a pouco... Vagarosamente, por ordem natural, o órgão que nos mantém vivos, esfria no mesmo ritmo, deitamo-nos no chão, e já não importa se está frio ou não, sentimos a alma congelar e esperamos sem pressa que não haja vida naquilo que nos mantém coloridos.
E... Naquele dia choveu.


foto by: Eduardo Gotardelo

sábado, 14 de agosto de 2010

Por Gabriel Garcia para mim... ♥

"menina complicada
muda de humor facilmente
tenta esconder o que sente
diz sempre que esta tudo bem
mesmo que não esteja
tenta não me magoar com seus sentimentos
não me contando
ainda não entendeu
que é isso que magoa
menina boba,
linda
e muito complicada
você pode achar impossível
mas eu te amo assim
do seu jeito.
é difícil, quase impossível
te entender
mais ainda assim eu tento
quem sabe assim eu possa te fazer feliz
quem sabe assim
mesmo com raiva,
triste
ou magoada
você possa dizer que me ama
sem eu precisar pedir
ou qualquer coisa assim
eu te amo

Gabriel Garcia Mello

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Aqui.

Aqui onde o tempo se mostra eterno
Meu coração bate de vagar
Com o receio de perder-te

Aqui onde meus pensamentos pertencem a ti
Quase não consigo respirar
Pois o medo de perder-te me sufoca

Aqui onde tenho que sorrir
Escondo lágrimas pesadas

Aqui onde já tenho duvidas sobre o amor
O medo de perder-te
Desespera meu ser

Aqui onde a dor e o medo tomaram conta
Bate um coração
Que esconde ser negro

Aqui onde o meu ser só existe em você.



Por J.Fernandes para G. Garcia

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Tempo Bom.

Era bom o tempo em que eu não tinha tantas obrigações, quando eu ainda sonhava, acreditava nas pessoas, estudava por puro prazer e meu maior problema era quando um menino não queria namorar comigo.
O tempo em que o vovô de cabelo branco me erguia lá no alto, e me fazer feliz era tão simples que quase não tinha graça.
Até medo do escuro era bom, no tempo em que tudo era bom; quebrar um copo e morrer de medo da bronca, correr atrás do cachorro que fugia com uma expressão invejável de liberdade, abraçá-lo com força e acreditar que ele seria mais feliz do lado de dentro do portão.
O céu era mais azul, um azul lindo que trazia uma paz interior que não se explica, dá saudade do tempo em que eu abria um sorriso só porque fazia sol.
Saudade das noites sem dormir, esperando o natal, páscoa, aniversário, dia das crianças...
Que delicia era comer um polenguinho às três horas da tarde, andar em cima do muro, brincar com outras crianças, fazer de conta e acreditar no faz de conta como se acredita em promessa de pai e mãe.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A mulher, a menina e ele.

Ele era bonito, falava bem, se vestia bem, cheirava bem e dava arrepios quando sussurrava ao pé do ouvido. Ele era tudo o que elas queriam.
Quando ele passava os olhos da menina brilhavam feito dia de Natal, a mulher por sua vez fazia que não o via.
Ao primeiro toque a menina amoleceu, a mulher se encolheu. Ao primeiro beijo a menina se entregou, a mulher desconsiderou.
A menina se entregou e fez planos, sonhou... Sonhos de menina, ela sentia saudade e ansiava pelas 18horas, igual criança anseia pela meia-noite na véspera de aniversario.
A mulher nem se importava, se ele fosse ou não tanto fazia, ela não estava lá por ele.
O coração da menina acelerava, ela sorria, falava e falava; a menina para ele já não tinha mais graça, foi só mais uma, e foi tão fácil que ele já nem se importava, ele se divertiu, sua missão estava cumprida.
A mulher se desfazia ao Maximo que podia. Agora, para ele, a meta era conquistar a mulher, para depois descarta - lá como tantas outras; ele só não esperava que essa mulher não se entregava, não se apaixonava...
Em uma certa esquina os três destinos se cruzaram, a menina, a mulher e ele, tinha também uma loira peituda que agora mudaria todo o rumo da historia.
Ele, aos beijos com a loira, de um lado a menina do outro lado a mulher, a menina ao se deparar com a cena se encolheu e chorou, a mulher sorriu e pensou “foi só mais um otário”.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Conto de fadas contemporâneo.

Era uma vez uma moça feia, gorda e pobre, que não tinha condições de ter um bom estudo.
Gezebel Greyci, acreditava que um dia um homem lindo, cheiroso, educado, rico, fiel e completamente apaixonado chegaria em um cavalo branco premiado e a levaria para morar com ele em um esplendido castelo, que ele a tornaria rainha, eles teriam filhos, ela seria uma boa mãe e jamais precisaria trabalhar, comeria bem, beberia bem, vestiria roupas caríssimas, faria plásticas, lipoaspiração e alisamento definitivo.
Gezebel Greyci sentava-se na frente do barraco de duas peças que morava e esperava o príncipe chegar...
Esperou... Esperou... Esperou...
Todo mundo que passava por ali a humilhava, ela era motivo de piada na comunidade em que morava, mas não importava o que as pessoas falassem, Gezebel Greyci acreditava que sua hora de brilhar chegaria.
Eis que após onze anos de longa espera, Gezebel Greyci no auge de seus vinte e sete anos ainda esperava pelo príncipe.
Fazia muito frio aquele dia, muito triste e decepcionada após tantos anos de espera, ela concluiu que seus métodos não estavam sendo bem sucedidos, então decide tentar o método da Bela Adormecida.
Ao se levantar ela avista um homem loiro, de pele muito clara, muito bem vestido indo a sua direção, o coração de Gezebel Greyci acelera, ela começa a suar, o moço parecia um anjo iluminado, ele para na frente dela, ela é tomada por um êxtase tão grande que não consegue ter nenhuma reação racional, seu único pensamento é: “Meu dia chegou!”.
O moço com cara de anjo cujo nome era Miguel, estende a mão para Gezebel e com uma voz calma e terna diz:
_ Te pago cinco reais para empurrar minha Mercedes que atolou na lama.
Gezebel Greyci levanta-se e ajuda o moço por cinco reais, depois que o carro é desatolado, ela fica imóvel vendo o carro partir até sumir no horizonte.
Alguns dias depois ela vira prostituta, passa a usar drogas, contrai AIDS e no ano seguinte falece por overdose.
Ela nunca foi amada como sonhou, não enriqueceu, não ficou bonita, não teve cabelo liso e não viveu feliz para sempre. Teve uma vida bem diferente das historias de princesa que escutava quando era criança.


Eis a vida como ela é.

FIM.

domingo, 8 de agosto de 2010

Cebola.



Eu gostaria de saber o que há de errado em não gostar de cebola! Tem gente que não gosta de feijão, de macarrão, banana... Mas nós que não suportamos cebola somos condenados.
A cebola é ácida, tem um cheiro ruim, nos deixa com mau hálito e ainda por cima tem um gosto ruim!
E SEMPRE tem as famosas frases “mas nem aparece” “não dá para sentir o gosto” “está bem picadinha” “nem dá para ver” “cortei grandinha para você poder tirar”... Então devemos concluir que as cebolas só perseguem quem não gostam delas?!
Sim, porque as pessoas dizem “no meu não tem cebola”, ou temos uma visão mais apurada do qualquer pessoa que come cebola, ou devemos considerar a hipótese da ‘vingança da cebola’, pois apenas de bater os olhos rapidamente no prato avistamos um bilhão de cebolas nojentas.
E para os desinformados, existe alergia a cebola, aparece uma espécie de uma ver ruguinha nos dedos das mãos ou nas solas dos pés e isso dói como se fosse um caquinho de vidro minúsculo preso de baixo da pele.
Apenas nós sabemos quanto sofremos quando somos convidados para comer na casa de alguém e o prato principal é algo nojento entupido de cebola, quando ficamos 10 minutos explicando pro carinha do cachorro quente que queremos molho sem cebola, quando pedimos um sanduíche e temos que nos certificar de que não tem cebola, e quando pedimos algo sem cebola, mas a estúpida da garçonete não escuta, perdemos horas separando a cebola da comida e às vezes até deixamos de comer, passamos vergonha fuçando a comida e abrindo o sanduíche para nos certificarmos que não há cebola.
Sofremos com o preconceito!
E é bom que as pessoas saibam que não adianta só tirar a cebola, a acidez fica na comida.
Nós podemos escolher o presidente do nosso país, podemos escolher a cor e o modelo dos nossos carros, podemos até escolher o nome dos nossos filhos e não podemos pedir comida sem cebola.
Quando eu achava que lutava sozinha por esta causa me deparei com milhões de pessoas que compartilham da minha aversão, e para nos compreender e apoiar surgiu o Burger King, sim, eles fazem do nosso jeito!

Culpa da Thais.

Há algum tempo, resolvi colocar no papel tudo o que me revoltava.
Minha amiga Thais, sempre elogiou meus textos (lembrando que opinião não se discute), encorajando-me a escrever mais e a publicar, eis o que estou fazendo.
Amiga essa a que devo muito e agradeço por ter tido a oportunidade de conhecer e conviver.
Obrigada por tudo amiga, eu amo você.