sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Life hard


Era uma vez uma princesa, cuja família era muito rica, porém, seus pais não desejavam uma filha, queriam gozar de toda a fortuna sem incomodo. A menina cresceu criada pelos empregados, que a tratavam com muito amor, mas ainda não era o suficiente. Ela queria ter um pai e uma mãe.
Quando a princesinha atingiu certa idade, seus pais lhe disseram que ela só herdaria o dinheiro caso trabalhasse e mostrasse que poderia viver sozinha.  Apesar de serem pais ausentes, eles a amavam e queriam que ela pudesse se sustentar sozinha caso um dia algo terrível acontecesse com o tão estimado dinheiro.
De acordo com a lei do menor aprendiz, a princesinha começou a estagiar em uma casa de costura aos catorze anos.
Enquanto seus pais viajavam, ela trabalhava, cuidava do Castelo e arrumava seu próprio quarto e toda semana ela recebia um chaveiro de lembrancinha. (¬¬)
Tudo ia bem! Eis que ela passa a despertar a inveja de suas coleguinhas de trabalho. A menina mais feia, má e invejosa, contava a sua mãe todos os dias que a princesa costurava melhor do que ela, era mais bela do que ela, era mais independente do que ela e que era uma PRINCESA! (Oooohhhh) A mãe da invejosinha mirim, tão ou mais invejosa do que a própria filha, mancomunou-se com a Bruxa de plantão para bolarem um plano infalivelmente maléfico para destruir a princesinha. Elas tentaram enfeitiçar uma agulha, mas depois da Bela Adormecida as agulhas passaram a vir com um protetor de feitiços de fábrica, elas pensaram em envenenar uma maçã, mas não era original. Então deixaram o tempo passar e encontrariam a forma perfeita (e original) de acabar com a princesa. Por algumas vezes quase que desistiram de fazer mal a inofensiva princesa, afinal, ela já era fudida mesmo. A Bruxa dominava o tráfico de entorpecentes da região; começaram então um plano para acusar a princesa de porte ilegal de cocaína. Original, maléfico e fail! Não deu certo.
Em um belo dia, um certo avião da TAM despenca, esse fato não mudaria a história, caso os pais da princesa não estivessem á bordo.
E a cada dia que passava, ficava mais difícil ferrar a princesinha, isso já acontecia naturalmente. O núcleo de vilões da historia resolveu apelar para o clichê, afinal, deu certo tantas outras vezes. Contratou um modelo, lindo, loiro, olhos azuis, essas coisas... Prometeram um bom dinheiro para que ele conquistasse a princesa e depois pisasse em seu coraçãozinho.
- E aí, princesa, vem sempre aqui?
- Saí fora bonitão. Da fruta que você gosta eu como até o caroço!
E por essa o núcleo malvado não esperava. Uma princesa GAY! (OMG!)
A cada dia que passava ficava mais difícil de fazer mal a princesa.
A Bruxa comprou a casa de costura, na qual a princesa estagiava, e ofereceu-lhe um cargo permanente, só precisava de uma assinatura. A princesa, inocente assinou sem ler, (crianças, nunca façam isso) na verdade o que ela assinara fora um documento dizendo que doava de livre e espontânea vontade TODO seu dinheiro para a Bruxa, mas o cargo de costureira ainda podia ficar com a princesa.
A princesa se empenhou, trabalhou duro, juntou uma grana massa e pagou uma faculdade. Formou-se em moda, criou uma grife para princesas desamparadas e estava ganhando muito dinheiro. Em sua profissão, conheceu várias mulheres, fez sexo com muitas delas, pegou uma DST aí e fiou bichada.
Quando descobriu a doença entrou em depressão, passou a usar drogas e um pouco mais tarde descobriu câncer de mama, retirou a mama esquerda e ficou careca.
Encontrou, no meio dessa confusão o amor de sua vida, a mulher que esteve ao seu lado quando nada ia bem, sua amiga de infância, a filha da cozinheira. Apaixonaram-se.
A filha da cozinheira cuidou com muito amor e dedicação da princesa falida, chegando até a curar seus enfermos. Tudo ia bem novamente.
Em mais um belo dia, a princesa resolveu fazer uma noite especial para sua amada, uma noite mais caliente, passou em um sexshop comprou brinquedinhos, comprou flores, comprou chocolate...
Estava toda feliz indo para casa. Quando chega em casa vai direto a cozinha buscar uma cerveja e se depara com sua amada fazendo sexo em cima do fogão com o modelo que tentou conquistá-la em uns parágrafos a cima.
Um mês depois a princesa falece.

NO dinheiro, NO felicidade, NO for ever!

FIM!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Crush errado

Com certeza você se identificará com um dos personagens que o texto a seguir apresentará ou provavelmente já viu de perto isso acontecer.


Em todas as turmas há os tipos: bonitões, nerds, excluídos, esportivos, patys, rockeiros, etc... Então a gordinha da sala se apaixona pelo bonitão popular, ela se aproxima dos amigos dele, é m longo e árduo caminho, até que por fim torna-se ‘amiga’ do objeto desejado. Ele é o Sol e também o ar que ela respira, sua vida só tem sentido porque ELE EXISTE, ela guarda a água dele, leva bala e afins só porque ele gosta, até comprou uma caixinha do grafite que ele usa o 0,7 para caso um dia fosse necessário, ela compra todos os dias um pacotinho de amendoim – mesmo sendo alérgica – mas ele ama essas bolinhas salgadas. Ela ri das piadas sem graça que ele conta. E quando ele sorri... Ah! Quando ele sorri, o mundo se enche de graça.
Ela está sempre apostos para ser útil em qualquer situação que ele precise, é por causa dele que ela acorda cedo e vai para a aula, quando ele falta tudo fica sem graça, é como um grande vazio que nunca seria preenchido, o dia se perde e as horas não passam.
Para ele, ela é uma boa companhia e no máximo uma boa amiga. Como todo bom homem, ele não percebe que ela suspira as inicias do nome dele e provavelmente na ultima folha do caderno o nome dela está escrito junto ao dele, seguido de um “para sempre” e do lado um coração. Ela pesquisou as bandas que ele gosta e os programas de TV, para que eles surpreendentemente tivessem ‘coisas em comum’ e esse fosse o motivo pelo qual os dois devessem procriar.
A gordinha acha que tem condições... Se ele não fosse o carinha mais cobiçado do Colégio... Quem sabe.
No auge dos devaneios que o sorriso  dele causou, entra ela: a bruxa, a vadia, a piranha, a ladra de namorados, e todos os adjetivos ruins que existem, ela rouba a atenção que o bonitão dava a gordinha quase que por dó, seus olhos murcham e passam pelo menos cinco maneiras criativas de matar a sua ‘concorrente’ pela cabeça, porem a melhor estratégia no momento é se enturmar na conversa.
Eis que o pior acontece, ele pede a ‘Maria qualquer uma’ em namoro, é hora de colocar em prática todas as teorias possíveis para separar o casal e de nada adianta, como ela poderia concorrer? A menina é bonita, interessante, tem um lindo corpo, é popular, todo mundo parece gostar dela.
Com mais garra ela foca no objetivo, tenta passar por cima de toda dor que esse ‘namorico sem fundamento’ causa, não deixa uma lágrima escorrer em publico, se consola dizendo a si mesma “É passageiro!”. Enquanto não passa, ela fica o ouvindo suspirar pela namoradinha e como foi legal à tarde que passaram juntos.
Cada vez que o casal feliz surge, ela ignora a presença feminina, olha para os lados e para baixo, deixando ás vezes se levar pelo rosto angelical do amado e deixa transparecer seu amor.
Mesmo com tudo indo contra seu amor, ela possui boa parte de sua atenção, conforma-se em ser apenas amiga, porque é melhor tê-lo em sua vida dessa forma do que não tê-lo de forma alguma, ainda há esperança de que um dia ele reconheça tudo que foi feito em prol dele e que a única pessoa no mundo capaz de amá-lo verdadeiramente é ela. Todos os dias ela deliria com a seguinte cena: ‘ele percebe que a ‘Maria qualquer coisa’ não é boa o suficiente para ele, lembra-se de quem esteve ao seu lado o tempo todo e vai correndo ao seu encontro, (em câmera lenta) ele a beija sem que nenhuma palavra seja dita’.
Enquanto isso não acontece, todas as vezes que a dor fica insuportável e a consome por dentro, ela corre para o banheiro, se tranca na ultima cabine e chora.
Ele nunca vai amá-la e por mais que ela saiba disso a esperança não a deixa, mesmo que cultivar essa dor signifique matá-la um pouco por dia.

                                                      

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Um dia qualquer


Era um dia como tantos. Cada qual concentrado em seu trabalho: pressa, estresse, a rua barulhenta, buzinas, freadas bruscas, vozes aleatórias, risadas...
A felicidade alheia é engraçada se observada de longe.
Foi quando aconteceu, não sei como, mas aconteceu. O tempo parou, as pessoas que corriam agora andavam sem pressa, era como assistir a cena de um filme em câmera lenta, os faróis dos carros, as luzes dos sinaleiros e os letreiros iluminado fundiram-se em uma única visão embaçada em preto e branco. Os barulhos misturaram-se, por mais intenso que havia sido segundos antes, agora se afastavam; sentia-me em uma redoma de vidro.
Senti lentamente, nas costas, uma perfuração, era gelado, os segundos passaram-se em horas. Encontrava-me sem ar e sem compreender a situação.
Pelas costas, escorria um liquido denso e quente, o quente contrastava com o gelo que me tomava a vida em segundos tão demorados. Caí de joelhos, olhei lentamente para baixo, tudo o que consegui ver foi sangue. Caída no chão, ainda vendo o mundo embaçado... Os carros continuavam a passar...

domingo, 3 de outubro de 2010

Privação

  Não prive as crianças dos erros, pois errando elas aprenderão. Não as prive de quebrarem louças, não as prive da “moda do momento”, não prive as crianças de serem crianças.
   E quando a hora chegar, não prive seu filho adolescente de ir ao boteco sujo com os amigos e tomar seu primeiro porre. Por mais que ele se torne alcoólatra e vá beber todos os dias no mesmo boteco, jamais seria como a primeira vez com a
 galera. Não prive os adolescentes dos perigos e encantos da noite, não os repreenda quando seus dias de rebeldia chegarem, instrua-os com amor e permita que seu filho cometa erros, não o prive das lembrança que o tempo não apagará; sexo drogas e Rock’n Roll fazem parte. Não prive um adolescente de ser adolescente. Esse será o tempo em que surgirão as estórias que serão contadas aos seus netos, é essa a juventude que se tem e que vai embora antes que possamos perceber.
   Não repreenda seu filho pelas roupas que ele escolheu, ao exigir perfeição, ele errará muitas vezes e o jeito com que você lidará com esses erros pode definir quem seu filho será.
Ele chegará em casa tarde e bêbado, não o prive disso. Ele passará por momentos difíceis, seja compreensivo; você não é feliz 24 horas por dia, não espere que ele seja.
   Talvez você ganhe um neto antes do esperado, talvez ele seja gay, talvez ele seja músico, dançarino ou ator.
   A maneira a qual seus pais agiram com você não é desculpa para o que você faz com seu filho.
   Deixe-o viajar, sonhar, criar, desejar, amar, errar, sofrer...
   Permita que ele seja ele mesmo! Não o prive do dia nem da noite, você o cria para a vida, e não para si.
   Não prive um adolescente da vida, que pode ser tão doce e tão amarga ao mesmo tempo.
   E lembre-se: você já fez tudo isso.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A saudade tem nome

Sinto cada vez menos a tua presença, dei-me conta de que já passou um ano.
Sua falta me faz sangrar repetidamente, dia após dia, causando uma dor que não cessa.
Entendo sua recente partida como uma libertação e não como esquecimento, você não pode me esquecer, não a mim, não eu que tanto te amei!
Mesmo que nenhuma palavra tenha sido dita, nossos olhos fizeram a promessa de que nossas almas estariam juntas para sempre.
Há um ano derramo as lágrimas mais ásperas que um ser pode possuir, cada gota representa uma súplica de saudade e desespero. Vazio.
Lembra, meu amor, quando nossos olhos pairavam sob um mesmo plano e olhos nos olhos, nossas almas eram nítidas um ao outro?
De olhos fechados quase consigo te sentir, seu calor, sua respiração... No entanto ao abrir os olhos encontro-me só, apenas com o delírio de te ter mais uma vez. Não tire isso de mim, é a maior prova de que você esteve aqui.
Foi amor, foi puro, foi verdadeiro, foi e é. Não me abandones mais uma vez, já é difícil o suficiente ter que prosseguir sem sua presença física, não mande sua alma para longe, longe de mim. Desde que você se foi, me restaram poucas ou nenhuma certeza; a sua alma pertence a mim, não tens o direito de levá-la, é só o que tenho. É tudo que possuo.

sábado, 18 de setembro de 2010

T-E-M-P-O


Tenho imensa saudade de um tempo que não me pertenceu, de um luxo que não desfrutei; recordo coisas que não vivi.
Do tempo em que não havia eletricidade; a querosene dos lampiões escurecia as paredes. Que saudade tenho disso, os banhos no inverno eram desconfortáveis, a medicina era precária e morria-se aos 40 anos, a vida era um pouco tediosa e o sexo desconfortável por causa da pele de coelho, era isso ou povoar o município de fazendas.
Os dias eram mais longos, a vida era quase sem propósito, a aventura que conhecíamos era um grande amor proibido. Nascíamos, crescíamos um pouco, então nossos pais faziam um acordo com outra família: casamento; crescíamos mais um pouco, escola, Igreja e lições de como ser uma boa esposa. Casávamos e reproduzíamos.
Com a falta do que fazer surgiu a Inquisição, afinal, a vida precisava de mistérios e ação. Qualquer ato incomum era considerado bruxaria, e muitos atos eram considerados suspeitos. A falta do que fazer também era um clima propício para fofocas, que sempre eram iniciadas pelo grupo de mulheres viciadas em Igreja.
A Igreja manipulava as informações que seriam repassadas ao povo (e cá para nós, não era melhor assim?! Não tínhamos preocupações, a vida resumia-se em nosso vilarejo), quanto mais ignorante o povo melhor para a Igreja.
O direito da mulher aos estudos exigiu muita luta. Saímos vitoriosas!                                       
À céu aberto tudo era pecado, à quatro paredes éramos os pecadores que mais mereciam o inferno.
 A vida era tão simples. Procurávamos problemas onde não existiam, só para passar o tempo.
Não sangrar na noite de núpcias era uma desonra a família, com direito a morte. Essa era a parte ruim, assim como o desconforto da carroça.
Ser nobre significava não fazer esforços físicos e não tomar sol, essas condições tornavam a vida ainda mais tediosa. Sem obrigações domésticas...
Os bailes eram mais freqüentes, os vestidos belíssimos; sinto falta dos espartilhos, emolduravam a cintura, dançávamos todos iguais.
Respeitar aos mais velhos era lei, quando jovens éramos contrários a muitas atitudes que tomavam e relação a nós, quando chegávamos à idade deles compreendíamos que tudo fora para nosso bem.
São essas coisas que me fazem falta... Uma vida simples, sem correrias.

sábado, 4 de setembro de 2010

Corredor da morte

Passos pesados e vagarosos, um passo a mais significava um passo a menos. A angústia de estar cada vez mais perto era quase tão grande quanto a de ainda estar tão longe.
O corredor era extenso, silencioso e branco, muito iluminado, os zumbidos das lâmpadas frias eram de dar nos nervos; vez em quando se escutava uma sucessão de “tocs tocs”, som de mais passos pesados e vagarosos.
De minuto em minuto, pensava na vaga idéia de mudar o sentido, direção e velocidade dos passos. Naquele momento era apenas um corpo em movimento; a expressão estava vazia, o ar tornou-se denso, dava sensação de frio, mesmo tratando-se de uma noite de verão, as mãos frias e molhadas.
É de fato incrível em quantas coisas a mente humana é capaz de pensar em apenas um segundo, o psicológico faz os ponteiros do relógio correrem e esquecerem-se de completar uma volta ao mesmo tempo, torna-se uma tortura, batalhas sem vencedores.
Faltavam somente alguns passos, a respiração perdeu o ritmo, a mão trêmula esticou-se contra vontade para girar a maçaneta... Sem saber o que aconteceria e como aconteceria. De olhos fechados a coragem chegou tímida. A porta foi aberta, e do lado de dentro estavam todos de pé, com expressões sérias; ficou nítido que ninguém sabia lidar com a situação, o silencio que sucedeu após a abertura da porta praticamente gritava por uma explicação plausível. Uma sirene ao longe quebrou o silêncio, interrompendo a exigência que o mesmo fazia; sucessões de “tocs tocs” agora cada vez mais rápidos pesaram o clima, os olhos de todos que ali estavam pousaram alarmados sobre a protagonista. Lágrimas escorreram caladas e vagarosas pelo rosto branco e delicado.
Quanto mais tempo se passava, mais chances eram desperdiçadas, chances que não voltariam e tempo que não poderia ser recuperado.
Já completava três dias sem noticias, bombardeios de descobertas que não fariam nenhum pai feliz; a duplicidade foi a forma que encontrou para encarar a vida.
Ela pensara em tudo. Escreveu, em seus papeis cor-de-rosa com desenhos infantis, contando onde esteve e descrevendo sua personalidade até então desconhecida por quase todos, nunca fora a filha desejada; explicações questionáveis agora já não importavam mais. Só se sabe a dor de perder um filho quem possui um. Assim fora sua vida, só compreendia quem acompanhava a dor, o medo, as noites em claro...
E foi assim, com lágrimas silenciosas, o ar denso e todos a olhando, em um movimento meticuloso, sacou uma arma da bolsa empoeirada, sem responder a nenhuma pergunta, sem citar uma palavra, apontou para sua cabeça, bem atrás da orelha e antes que qualquer um pudesse ao menos entender o que acontecia puxou o gatilho.
Instantes antes havia pensado em deixar seu rosto intacto, para que lágrimas ensaiadas pudessem escorrer sobre seu cadáver.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Como crianças

Corremos, não porque estávamos com pressa, não para pegarmos o ônibus, não porque íamos a algum lugar, corremos como crianças, só porque nos deu uma vontade súbita de correr. Enquanto corríamos, ele segurava minha mão_ me senti tão segura e feliz_ não parávamos de rir. As pessoas nos olhavam, e para ser bem franca, eu queria mesmo que olhassem que vissem o quão feliz eu estava.
Senti uma liberdade e uma felicidade que não se explica.
Corri para lugar nenhum sem motivo algum.
Invejaram nossa felicidade, nossa leveza, nossa liberdade.
Parecíamos duas crianças descobrindo a vida.
Estávamos felizes só porque corremos. E correr com ele me transmite uma paz inigualável.
Esse episódio lembrou-me o verão desse ano. Molhamos-nos com a chuva por quatro dias seguidos, fechei meu guarda-chuva de baixo de um temporal e deixei me molhar. Quando a chuva parou pulávamos nas poças como crianças, só que dessa vez sem culpa, sem medo. A sensação de correr foi quase a mesma de pular nas poças. Mais uma vez, ele ao meu lado, me fazendo feliz.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Um poema que não é meu

Hoje o sol resolveu não sair
Minha vontade era continuar a dormir
Porém o relógio me despertou
E em um toque a cidade acordou

Não é porque o sol não nasceu que eu não vou acordar
Não é porque o tempo parou que eu vou parar
Não porque a lua não apareceu que eu não vou sonhar
Não é porque você me deixou que eu vou deixar de te amar

E assim tive que acordar
Para viver um novo dia
Sem o sol, sem você sem a melodia
E o tempo chuvoso parece me acompanhar

Quero voltar a ter um lugar
Onde seja possível avistar
O sol namorando o luar
E você seja capaz de me amar

Não é porque o tempo passa que eu amadureço
Não é porque não luto que tenho medo
Não é porque te amo que nunca te esquecerei
Não porque está chovendo que irei me molhar


Por Iuri Siqueira

sábado, 14 de agosto de 2010

Por Gabriel Garcia para mim... ♥

"menina complicada
muda de humor facilmente
tenta esconder o que sente
diz sempre que esta tudo bem
mesmo que não esteja
tenta não me magoar com seus sentimentos
não me contando
ainda não entendeu
que é isso que magoa
menina boba,
linda
e muito complicada
você pode achar impossível
mas eu te amo assim
do seu jeito.
é difícil, quase impossível
te entender
mais ainda assim eu tento
quem sabe assim eu possa te fazer feliz
quem sabe assim
mesmo com raiva,
triste
ou magoada
você possa dizer que me ama
sem eu precisar pedir
ou qualquer coisa assim
eu te amo

Gabriel Garcia Mello

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Amar é perder

Aqui onde o tempo se mostra eterno
Meu coração bate de vagar
Com o receio de perder-te

Aqui onde meus pensamentos pertencem a ti
Quase não consigo respirar
Pois o medo de perder-te me sufoca

Aqui onde tenho que sorrir
Escondo lágrimas pesadas

Aqui onde já tenho dúvidas sobre o amor
O medo de perder-te
Desespera meu ser

Aqui onde a dor e o medo tomaram conta
Bate um coração
Que esconde ser negro

Aqui onde o meu ser só existe em você.

Por J.Fernandes para G. Garcia

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Conto de fadas contemporâneo.

Era uma vez uma moça feia, gorda e pobre, que não tinha condições de ter um bom estudo.
Gezebel Greyci, acreditava que um dia um homem lindo, cheiroso, educado, rico, fiel e completamente apaixonado chegaria em um cavalo branco premiado e a levaria para morar com ele em um esplendido castelo, que ele a tornaria rainha, eles teriam filhos, ela seria uma boa mãe e jamais precisaria trabalhar, comeria bem, beberia bem, vestiria roupas caríssimas, faria plásticas, lipoaspiração e alisamento definitivo.
Gezebel Greyci sentava-se na frente do barraco de duas peças que morava e esperava o príncipe chegar...
Esperou... Esperou... Esperou...
Todo mundo que passava por ali a humilhava, ela era motivo de piada na comunidade em que morava, mas não importava o que as pessoas falassem, Gezebel Greyci acreditava que sua hora de brilhar chegaria.
Eis que após onze anos de longa espera, Gezebel Greyci no auge de seus vinte e sete anos ainda esperava pelo príncipe.
Fazia muito frio aquele dia, muito triste e decepcionada após tantos anos de espera, ela concluiu que seus métodos não estavam sendo bem sucedidos, então decide tentar o método da Bela Adormecida.
Ao se levantar ela avista um homem loiro, de pele muito clara, muito bem vestido indo a sua direção, o coração de Gezebel Greyci acelera, ela começa a suar, o moço parecia um anjo iluminado, ele para na frente dela, ela é tomada por um êxtase tão grande que não consegue ter nenhuma reação racional, seu único pensamento é: “Meu dia chegou!”.
O moço com cara de anjo cujo nome era Miguel, estende a mão para Gezebel e com uma voz calma e terna diz:
_ Te pago cinco reais para empurrar minha Mercedes que atolou na lama.
Gezebel Greyci levanta-se e ajuda o moço por cinco reais, depois que o carro é desatolado, ela fica imóvel vendo o carro partir até sumir no horizonte.
Alguns dias depois ela vira prostituta, passa a usar drogas, contrai AIDS e no ano seguinte falece por overdose.
Ela nunca foi amada como sonhou, não enriqueceu, não ficou bonita, não teve cabelo liso e não viveu feliz para sempre. Teve uma vida bem diferente das historias de princesa que escutava quando era criança.


Eis a vida como ela é.

FIM.