terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Traça de livro

Ele nasceu em uma cidade pequena, no ceio de uma família bem peculiar, o destino gosta de pregar peças, ele destoava daqueles quase como a "Mathilda".
Não estava destinado a ter uma vida fácil, as atividades profissionais da família desagradavam os moradores da pequena cidade, o que contribuiu para que tivesse uma infância solitária, as pessoas mais próximas, que podia chamar de "amigas", eram as moças da vida, já que seus pais tocavam o bordel e ele passava muito tempo na vompanhia delas, foi com elas, invlusive, que ele aprendeu como respeitar uma mulher, entre outras lições que aprenderia mais tarde, quando a maioridade permitisse.
Frenquentava com a mãe as missas de Domingo. Quase não foi aceito na catequese, mas os membros da Igreja acreditavam que poderiam salvar aquela pobre alma infantil. Foi quando o padre passou e pedir que o menino o visitasse frenquentemente, sua ingenuidade não permitia que ele distinguisse o certo do errado nas horas em que passava a sós com o ele.
Uma criança sem amigos, sem a atenção dos pais, abusado sexualmente pela única pessoa em quem confiava.
Parou de frequentar a Igreja e criou dentro do seu quarto um mundo só seu, no qual ninguém tinha permissão para entrar. A realidade era triste e ele encontrou forças para seguir quando leu seu primeiro livro, para um trabalho de literatura na escola. Descobriu na leitura que podia escapar da realidade, era um livro atrás do outro, foi assim até que pôde sair do ceio daquela família que nunca lhe ensinou lições sobre o amor ou proteção.
Carregando o segredo que pesava seu coração, conhecendo da vida apenas o que lera nos livros, atingiu idade o suficiente para mudar-se, foi para uma cidade grande.
Enfrentava agora a dificuldade de interagir com as pessoas, descobrindo sentimentos, porque antes sentia apenas medo e raiva. Cada dia era uma nova descoberta.
Mas pouco progresso fez com a interação social, quanto mais conhecia pessoas, mais gostava dos seus livros.
Aprendeu a fingir sentimentos, porque identificou que as pessoas com as quais era obrigado a conviver, esperavam isso dele.
Mas a tristeza morava em seu coração e as memórias dos abusos sofridos não permitiam que ele fosse normal. Desenvolveu diversos transtornos e as pessoas tinham dó, o que as motivava a tentar melhorar sua situação, mas ninguém conseguiria.
Numa cadeira de balanço, segurando um livro aberto pela metade, não chegaria ao próximo capítulo. A morte susurtou no seu ouvido e sua última companhia foi a traça de um livro.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

O castanho dos teus olhos

Foi o castanho dos teus olhos que juntaram os pedaços quebrados dentro de mim.
Foram esses malditos olhos castanhos que tornaram sinuosas as estradas da minha vida, e numa dessas curvas, embriagada pelo mel dos teus olhos, eu me perdi e nunca mais encontrei o caminho de volta.
Através do castanho dos seus olhos, eu conheci as mais lindas e intensas cores que existem.
Enxergar o meu reflexo nos teus brilhantes olhos castanhos é o que me traz paz, é o que faz a vida ganhar sentido.
Ah, esses olhos... eles alinham os planetas do meu Universo e fazem com que eu nao queira encontrar o caminho de volta.
Cada vez que meus olhos fitam os seus, é como se o Sol estivesse nascendo dentro mim, com toda sua imponência, luz e calor.
O brilho dos teus olhos castanho, me ilumina, me aquece e me hipinotiza.
Garoto, teus olhos castanho são a coisa mais linda que eu já vi.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

A cidade dorme

A cidade dorme lá fora e aqui dentro tudo é barulho e confusão.
Eu olho pela janela, procurando em meio aos inúmeros prédios vizinhos, outra janela acesa, econtro uma ou duas.
 Nessas raras luzes da madrugada, me sinto compreendida.
Embora eu não conheça essas pessoas e tampouco saiba o motivo por estarem acordadas às 3h30 a.m., penso que talvez ali também more un coração inquieto, barulhento e confuso.
Ás vezes a única coisa que a gente quer, é sentir que faz parte de algo, e eu me sinto parte quando as poucas luzes acendem na madrugada.
Invento teorias sobre o que estão fazendo e sentindo. Como eu queria que me vissem, que soubessem que também estou em agonia.
Elas nem sabem, mas suas luzes acesas confortam o meu coração enquanto os "normais" dormem.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Senhas preferênciais


Como eu tenho raiva de senhas preferências! Você chega ao banco, retira sua senha, olha para o bilhete o numero é 578, então olha para o painel e o numero é 32. Você escuta o característico apito de “próxima senha”, ao prazo de dez minutos passaram sete senhas, o que lhe anima, a próxima vez que o painel apita você vê a seguinte senha “X19”, ou seja, senha para idosos, gestantes, deficientes ou pessoas com crianças de colo (se você está sentado num desses bancos aproveite para oferecer seu lugar ♪ rs); entre cada senha normal há cinco preferências!
Agora me digam, idoso tem pressa para quê? Fazer tricô e jogar bocha? Isso sem contar que idosos têm dificuldade de compreensão, eles vão ao guichê errado tentar resolver o problema errado, após muitas horas de explicação compreendem (ou não) que de fato o lugar não é ali_ enquanto você quer apenas pagar uma conta de telefone cujo dinheiro está até trocadinho_ é só a máquina bipar.
Os idosos já tem o banquinho preferencial, por que precisam pagar as contas mais rápido? Isso é discriminação com as pessoas jovens, não deficientes e não gestantes.
u.u

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Life hard


Era uma vez uma princesa, cuja família era muito rica, porém, seus pais não desejavam uma filha, queriam gozar de toda a fortuna sem incomodo. A menina cresceu criada pelos empregados, que a tratavam com muito amor, mas ainda não era o suficiente. Ela queria ter um pai e uma mãe.
Quando a princesinha atingiu certa idade, seus pais lhe disseram que ela só herdaria o dinheiro caso trabalhasse e mostrasse que poderia viver sozinha.  Apesar de serem pais ausentes, eles a amavam e queriam que ela pudesse se sustentar sozinha caso um dia algo terrível acontecesse com o tão estimado dinheiro.
De acordo com a lei do menor aprendiz, a princesinha começou a estagiar em uma casa de costura aos catorze anos.
Enquanto seus pais viajavam, ela trabalhava, cuidava do Castelo e arrumava seu próprio quarto e toda semana ela recebia um chaveiro de lembrancinha. (¬¬)
Tudo ia bem! Eis que ela passa a despertar a inveja de suas coleguinhas de trabalho. A menina mais feia, má e invejosa, contava a sua mãe todos os dias que a princesa costurava melhor do que ela, era mais bela do que ela, era mais independente do que ela e que era uma PRINCESA! (Oooohhhh) A mãe da invejosinha mirim, tão ou mais invejosa do que a própria filha, mancomunou-se com a Bruxa de plantão para bolarem um plano infalivelmente maléfico para destruir a princesinha. Elas tentaram enfeitiçar uma agulha, mas depois da Bela Adormecida as agulhas passaram a vir com um protetor de feitiços de fábrica, elas pensaram em envenenar uma maçã, mas não era original. Então deixaram o tempo passar e encontrariam a forma perfeita (e original) de acabar com a princesa. Por algumas vezes quase que desistiram de fazer mal a inofensiva princesa, afinal, ela já era fudida mesmo. A Bruxa dominava o tráfico de entorpecentes da região; começaram então um plano para acusar a princesa de porte ilegal de cocaína. Original, maléfico e fail! Não deu certo.
Em um belo dia, um certo avião da TAM despenca, esse fato não mudaria a história, caso os pais da princesa não estivessem á bordo.
E a cada dia que passava, ficava mais difícil ferrar a princesinha, isso já acontecia naturalmente. O núcleo de vilões da historia resolveu apelar para o clichê, afinal, deu certo tantas outras vezes. Contratou um modelo, lindo, loiro, olhos azuis, essas coisas... Prometeram um bom dinheiro para que ele conquistasse a princesa e depois pisasse em seu coraçãozinho.
- E aí, princesa, vem sempre aqui?
- Saí fora bonitão. Da fruta que você gosta eu como até o caroço!
E por essa o núcleo malvado não esperava. Uma princesa GAY! (OMG!)
A cada dia que passava ficava mais difícil de fazer mal a princesa.
A Bruxa comprou a casa de costura, na qual a princesa estagiava, e ofereceu-lhe um cargo permanente, só precisava de uma assinatura. A princesa, inocente assinou sem ler, (crianças, nunca façam isso) na verdade o que ela assinara fora um documento dizendo que doava de livre e espontânea vontade TODO seu dinheiro para a Bruxa, mas o cargo de costureira ainda podia ficar com a princesa.
A princesa se empenhou, trabalhou duro, juntou uma grana massa e pagou uma faculdade. Formou-se em moda, criou uma grife para princesas desamparadas e estava ganhando muito dinheiro. Em sua profissão, conheceu várias mulheres, fez sexo com muitas delas, pegou uma DST aí e fiou bichada.
Quando descobriu a doença entrou em depressão, passou a usar drogas e um pouco mais tarde descobriu câncer de mama, retirou a mama esquerda e ficou careca.
Encontrou, no meio dessa confusão o amor de sua vida, a mulher que esteve ao seu lado quando nada ia bem, sua amiga de infância, a filha da cozinheira. Apaixonaram-se.
A filha da cozinheira cuidou com muito amor e dedicação da princesa falida, chegando até a curar seus enfermos. Tudo ia bem novamente.
Em mais um belo dia, a princesa resolveu fazer uma noite especial para sua amada, uma noite mais caliente, passou em um sexshop comprou brinquedinhos, comprou flores, comprou chocolate...
Estava toda feliz indo para casa. Quando chega em casa vai direto a cozinha buscar uma cerveja e se depara com sua amada fazendo sexo em cima do fogão com o modelo que tentou conquistá-la em uns parágrafos a cima.
Um mês depois a princesa falece.

NO dinheiro, NO felicidade, NO for ever!

FIM!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Crush errado

Com certeza você se identificará com um dos personagens que o texto a seguir apresentará ou provavelmente já viu de perto isso acontecer.


Em todas as turmas há os tipos: bonitões, nerds, excluídos, esportivos, patys, rockeiros, etc... Então a gordinha da sala se apaixona pelo bonitão popular, ela se aproxima dos amigos dele, é m longo e árduo caminho, até que por fim torna-se ‘amiga’ do objeto desejado. Ele é o Sol e também o ar que ela respira, sua vida só tem sentido porque ELE EXISTE, ela guarda a água dele, leva bala e afins só porque ele gosta, até comprou uma caixinha do grafite que ele usa o 0,7 para caso um dia fosse necessário, ela compra todos os dias um pacotinho de amendoim – mesmo sendo alérgica – mas ele ama essas bolinhas salgadas. Ela ri das piadas sem graça que ele conta. E quando ele sorri... Ah! Quando ele sorri, o mundo se enche de graça.
Ela está sempre apostos para ser útil em qualquer situação que ele precise, é por causa dele que ela acorda cedo e vai para a aula, quando ele falta tudo fica sem graça, é como um grande vazio que nunca seria preenchido, o dia se perde e as horas não passam.
Para ele, ela é uma boa companhia e no máximo uma boa amiga. Como todo bom homem, ele não percebe que ela suspira as inicias do nome dele e provavelmente na ultima folha do caderno o nome dela está escrito junto ao dele, seguido de um “para sempre” e do lado um coração. Ela pesquisou as bandas que ele gosta e os programas de TV, para que eles surpreendentemente tivessem ‘coisas em comum’ e esse fosse o motivo pelo qual os dois devessem procriar.
A gordinha acha que tem condições... Se ele não fosse o carinha mais cobiçado do Colégio... Quem sabe.
No auge dos devaneios que o sorriso  dele causou, entra ela: a bruxa, a vadia, a piranha, a ladra de namorados, e todos os adjetivos ruins que existem, ela rouba a atenção que o bonitão dava a gordinha quase que por dó, seus olhos murcham e passam pelo menos cinco maneiras criativas de matar a sua ‘concorrente’ pela cabeça, porem a melhor estratégia no momento é se enturmar na conversa.
Eis que o pior acontece, ele pede a ‘Maria qualquer uma’ em namoro, é hora de colocar em prática todas as teorias possíveis para separar o casal e de nada adianta, como ela poderia concorrer? A menina é bonita, interessante, tem um lindo corpo, é popular, todo mundo parece gostar dela.
Com mais garra ela foca no objetivo, tenta passar por cima de toda dor que esse ‘namorico sem fundamento’ causa, não deixa uma lágrima escorrer em publico, se consola dizendo a si mesma “É passageiro!”. Enquanto não passa, ela fica o ouvindo suspirar pela namoradinha e como foi legal à tarde que passaram juntos.
Cada vez que o casal feliz surge, ela ignora a presença feminina, olha para os lados e para baixo, deixando ás vezes se levar pelo rosto angelical do amado e deixa transparecer seu amor.
Mesmo com tudo indo contra seu amor, ela possui boa parte de sua atenção, conforma-se em ser apenas amiga, porque é melhor tê-lo em sua vida dessa forma do que não tê-lo de forma alguma, ainda há esperança de que um dia ele reconheça tudo que foi feito em prol dele e que a única pessoa no mundo capaz de amá-lo verdadeiramente é ela. Todos os dias ela deliria com a seguinte cena: ‘ele percebe que a ‘Maria qualquer coisa’ não é boa o suficiente para ele, lembra-se de quem esteve ao seu lado o tempo todo e vai correndo ao seu encontro, (em câmera lenta) ele a beija sem que nenhuma palavra seja dita’.
Enquanto isso não acontece, todas as vezes que a dor fica insuportável e a consome por dentro, ela corre para o banheiro, se tranca na ultima cabine e chora.
Ele nunca vai amá-la e por mais que ela saiba disso a esperança não a deixa, mesmo que cultivar essa dor signifique matá-la um pouco por dia.

                                                      

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Um dia qualquer


Era um dia como tantos. Cada qual concentrado em seu trabalho: pressa, estresse, a rua barulhenta, buzinas, freadas bruscas, vozes aleatórias, risadas...
A felicidade alheia é engraçada se observada de longe.
Foi quando aconteceu, não sei como, mas aconteceu. O tempo parou, as pessoas que corriam agora andavam sem pressa, era como assistir a cena de um filme em câmera lenta, os faróis dos carros, as luzes dos sinaleiros e os letreiros iluminado fundiram-se em uma única visão embaçada em preto e branco. Os barulhos misturaram-se, por mais intenso que havia sido segundos antes, agora se afastavam; sentia-me em uma redoma de vidro.
Senti lentamente, nas costas, uma perfuração, era gelado, os segundos passaram-se em horas. Encontrava-me sem ar e sem compreender a situação.
Pelas costas, escorria um liquido denso e quente, o quente contrastava com o gelo que me tomava a vida em segundos tão demorados. Caí de joelhos, olhei lentamente para baixo, tudo o que consegui ver foi sangue. Caída no chão, ainda vendo o mundo embaçado... Os carros continuavam a passar...