segunda-feira, 30 de abril de 2018

Trabalho #1

Gostei do insith do último texto e vou contar sobre minhas experiências profissionais, certamente mantendo o sigilo sobre os envolvidos, inclusive as pessoas jurídicas.

Tenho certa dificuldade em chamar o primeiro trabalho de trabalho, pois eu era meio que freelancer em um negócio da família e, acreditem, trabalhar para/com a família é uma coisa inclassificável (não sei se essa palavra existe).
Me sentia muito adulta trabalhando, mas não fazia ideia de que eu estava sendo protegida de todas as partes ruins. Nem sempre acordava cedo, não batia ponto, não pegava no pesado, o horário de almoço às vezes emendava com o do café da tarde e basicamente eu tinha que organizar coisas, sorrir e ser agradável, enquanto as pessoas eram igualmente agradáveis, porque além de eu ser praticamente uma criança, sabiam que minha presença ali não iria interferir em nada, não me viam como uma ameaça.
Pois bem, a primeira lição do primeiro trabalho é a de que não se deve misturar família e trabalho, embora muita gente consiga - mesmo que se matem às vezes. rs
Porque da mesma maneira que determinadas vantangens se apliquem apenas a você, determinadas *desvantagens* também são exclusivamentes aplicadas a você.
O relacionamento entre colegas de trabalho e superiores hierárquicos exige distância pessoal, respeito, uma dose extra de paciencia, profissionalismo, etc elementos que muitas vezes faltam no relacionamento familiar, e é aí que as coisas vão por àgua a baixo.
Certa de que eu já havia aprendido muito sobre trabalho, cursando o ensino médio e com um curso de inglês incompleto, elaborei um currículo, acreditando estar muito preparada e qualificada para o mercado, me joguei.
Que saudade dessa autoconfiança juvenil!

                                                    (Continua...)

Work hard

Trabalhar desde os dezesseis anos fez com que hoje, aos vinte e quatro, eu estivesse na décima quarta experiência profissional.
Eu pude conhecer vários tipos de empresas, chefes, colegas, funções, métodos de organização e administração, etc. Todas essas experiências trouxeram mais do que qualificação, trouxeram um aprendizado de vida sem igual.
Tive chefes bons e ruins, conheci colegas com vontade de ajudar e outros dispostos apenas a puxar o tapete, conheci gente que fingia ser boa e era má, também as que fingiam ser más, mas eram boas. Aprendi a acatar ordens – mesmo meio contrariada- aprendi que eu erro e, muito, aprendi que no ambiente de trabalho não se faz amigos, mas também aprendi a lidar com os “espertinhos”... não dá para listar todo o conhecimento adquirido ao longo desse tempo, e ainda tenho tanta coisa para aprender.
Eu poderia fazer um texto* sobre cada um desses lugares e ainda não teria como transmitir tudo o que foi acrescentado ao meu modo de entender a vida.
Uma coisa que ainda não aprendi com todos esses trabalhos, é a controlar a insegurança e ansiedade. A minha 14ª experiência começou há mais ou menos duas semanas, e eu já perdi algumas noites de sono me perguntando se eu vou conseguir entregar um bom trabalho, se estou me dedicando o suficiente, se vão me despedir após o contrato de experiência.
Trata-se de um trabalho pelo qual eu pedi muito e agora que consegui, não sei se vou aguentar.
Depois da penúltima oportunidade eu havia prometido para mim mesma que não perderia a saúde por outro trabalho, e aqui estou... é feriado e eu só me pergunto se vou conseguir entregar o relatório na quarta.

*É uma boa ideia, inclusive.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Crônicas do ônibus #1

Nos quase quarenta minutos que passo dentro do ônibus indo para o trabalho, muitas coisas interessantes acontecem, as pessoas se expõem e nem sempre se dão conta de que há tanta gente em volta ouvindo.

Resolvi então, relatar as histórias que achei mais interessantes.

Ainda no terminal, duas moças pararam na fila atrás de mim, enquanto aguardávamos a chegada do ônibus. Eis que começo a prestar atenção no estavam falando.
Uma aparentava ter entre 18 e 20 anos, enquanto a outra aparentava ter entre 35 e 40 anos.
A que é mais velha perguntou se a outra havia feito cursinho para passar no vestibular da UFPR, esta respondeu que não, apenas sempre foi uma boa aluna, fez a prova e passou.
A moça mais velha ficou chocada com a informação e com um pouco de inveja, alegando que muitas pessoas se matam de estudar e ela simplesmente "passou porque sempre foi boa aluna". 
Começou então, a contar a história da sua vida (a mais velha).

Contou que era secretária de uma multinacional e seu chefe havia informado que ela seria promovida, mas para tanto, ela teria que fazer uma faculdade. A moça gostaria de se inscrever no curso de secretária executiva, mas sua sogra não concordava com isso e a "obrigou" a cursar administração. De tanto odiar o curso, ela trancou a faculdade, não foi promovida e perdeu o job, além de ter terminado o relacionamento.

Resolveu que com tanto tempo livre, ela poderia trabalhar em dois novos empregos e dobrar sua renda.
Até que um dia, recebeu uma resposta de uma vaga que havia se candidatado, foi chamada para a entrevista que era uma dinâmica de grupo. 
Ela compareceu, bem sem esperanças, participou da dinâmica e pediu para sair mais cedo, pois tinha que trabalhar. Dias depois, recebeu uma ligação avisando que ela havia sido aprovada, que no meio de tanta gente gostaram muito dela pois ela era muito segura, e foi contratada para um cargo bom em um banco, ganhando ainda mais do que ela ganhava trabalhando em dois empregos.

Achei ambas as histórias interessantes, o que me leva a crer que quando é para alguma coisa dar certo, simplesmente acontece!

sexta-feira, 16 de março de 2018

Crônicas aleatórias

Tenho um amigo na faculdade de Direito que está no último ano.
Certa vez, ele me disse que não fazia os trabalhos em grupo, apenas dava apoio moral para os colegas, assim teriam a impressão de que ele ajudou, mas no fundo, ele não colaboraria com a pesquisa.
Agora ele tem uma matéria chamada "prática jurídica", na qual os trabalhos são baseados em petições (coisas que teremos que fazer na vida profissional).
Passei em frente a sala dele, estavam todos sentados em dupla, e percebi que ele tinha uma expressão de aflição. Ele dava "apoio moral" para seu parceiro de equipe, enquanto este fazia o trabalho - como sempre foi, mas desta vez, meu amigo entendeu que a vida real está logo ali e tudo o que ele sabe fazer é "dar apoio".
Senti dó. Vida que segue.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

02/01/2018

Aproximadamente às 17h do segundo dia do ano, no Ed. Chaplin - que fica em frente ao meu - uma moça pulou do sexto andar.
Da minha janela era possível enxergar duas viaturas da PM, um carro do corpo de bombeiros, um carro de socorrista e alguns curiosos espiculando.
O dia estava nublado, ligeiramente frio e ventava atipicamente.
A primeira versão - que eu não acredito- é a de que ela havia brigado com o namorado e então decidido ceifar a própria vida daquela maneira terrível.
Acredito que as pessoas que estavam ali não eram uma fonte confiável de informações, levando em consideração que há uma forte tendência nas pessoas em inventar histórias, principalmente em tragédias como essa. Segundo, que acho escrota a maneira como as pessoas reduzem os problemas da vida de uma mulher a um relacionamemto mal sucedido, ignorando o peso e as dores de viver em uma sociedade em que nos esmaga, oprime e exige que sejamos que esperam. Ora, existem muitas outras angústias no coração de uma mulher que poderiam levar a uma situação extrema como essa.
A psicologia explica que o instinto humano é de preservaçã, a pessoa que atenta contra a própria vida não está apenas sofrendo, está doente.
Sei que existem muitos casos de mulheres desesperadas que tomam essa iniciativa por causa de um homem, um namoro e até casamento que não deu certo.
A mim, resta a tristeza porque as pessoas que estavam reunidas ali, apenas estavam preocupadas com o motivo e não com o fato. Ninguém se importa com nada.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Joaninha

Era uma manhã de sol, como outras tantas, mas aquela seria diferente.
Levantou sonolento, e logo avistou um pontinho na parede. Dormira acompanhado e nem sabia, agora tinha uma nova amiga, que cuidava com zêlo: uma joaninha amarela.
Chegou empolgado da escola para brincar com ela, mas ao chegar aprendera uma de tantas lições que a vida ainda ensinaria: não se pode aprisionar quem nascera para voar. Reflexivo, ligou o velho vídeo-game e aos poucos foi como se ela nunca tivesse existido.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

O castanho dos teus olhos

Foi o castanho dos teus olhos que juntaram os pedaços quebrados dentro de mim.
Foram esses malditos olhos castanhos que tornaram sinuosas as estradas da minha vida, e numa dessas curvas, embriagada pelo mel dos teus olhos, eu me perdi e nunca mais encontrei o caminho de volta.
Através do castanho dos seus olhos, eu conheci as mais lindas e intensas cores que existem.
Enxergar o meu reflexo nos teus brilhantes olhos castanhos é o que me traz paz, é o que faz a vida ganhar sentido.
Ah, esses olhos... eles alinham os planetas do meu Universo e fazem com que eu nao queira encontrar o caminho de volta.
Cada vez que meus olhos fitam os seus, é como se o Sol estivesse nascendo dentro mim, com toda sua imponência, luz e calor.
O brilho dos teus olhos castanho, me ilumina, me aquece e me hipinotiza.
Garoto, teus olhos castanho são a coisa mais linda que eu já vi.