segunda-feira, 16 de abril de 2018

Crônicas do ônibus #1

Nos quase quarenta minutos que passo dentro do ônibus indo para o trabalho, muitas coisas interessantes acontecem, as pessoas se expõem e nem sempre se dão conta de que há tanta gente envolta ouvindo.

Resolvi então, relatar as histórias que achei mais interessantes.

Ainda no terminal, duas moças pararam na fila atrás de mim, enquanto aguardávamos a chegada do ônibus. Eis que começo a prestar atenção no estavam falando.
Uma aparentava ter entre 18 e 20 anos, enquanto a outra aparentava ter entre 35 e 40 anos.
A que é mais velha perguntou se a outra havia feito cursinho para passar no vestibular da UFPR, esta respondeu que não, apenas sempre foi uma boa aluna, fez a prova e passou.
A moça mais velha ficou chocada com a informação e com um pouco de inveja, alegando que muitas pessoas se matam de estudar e ela simplesmente "passou porque sempre foi boa aluna". 
Começou então, a contar a história da sua vida (a mais velha).

Contou que era secretária de uma multinacional e seu chefe havia informado que ela seria promovida, mas para tanto, ela teria que fazer uma faculdade. A moça gostaria de se inscrever no curso de secretária executiva, mas sua sogra não concordava com isso e a "obrigou" a cursar administração. De tanto odiar o curso, ela trancou a faculdade, não foi promovida e perdeu o job, além de ter terminado o relacionamento.

Resolveu que com tanto tempo livre, ela poderia trabalhar em dois novos empregos e dobrar sua renda.
Até que um dia, recebeu uma resposta de uma vaga que havia se candidatado, foi chamada para a entrevista que era uma dinâmica de grupo. 
Ela compareceu, bem sem esperanças, participou da dinâmica e pediu para sair mais cedo, pois tinha que trabalhar. Dias depois, recebeu uma ligação avisando que ela havia sido aprovada, que no meio de tanta gente gostaram muito dela pois ela era muito segura, e foi contratada para um cargo bom em um banco, ganhando ainda mais do que ela ganhava trabalhando em dois empregos.

Achei ambas as histórias interessantes, o que me leva a crer que quando é para alguma coisa dar certo, simplesmente acontece!

sexta-feira, 16 de março de 2018

Crônicas aleatórias

Tenho um amigo na faculdade de Direito que está no último ano.
Certa vez, ele me disse que não fazia os trabalhos em grupo, apenas dava apoio moral para os colegas, assim teriam a impressão de que ele ajudou, mas no fundo, ele não colaboraria com a pesquisa.
Agora ele tem uma matéria chamada "prática jurídica", na qual os trabalhos são baseados em petições (coisas que teremos que fazer na vida profissional).
Passei em frente a sala dele, estavam todos sentados em dupla, e percebi que ele tinha uma expressão de aflição. Ele dava "apoio moral" para seu parceiro de equipe, enquanto este fazia o trabalho - como sempre foi, mas desta vez, meu amigo entendeu que a vida real está logo ali e tudo o que ele sabe fazer é "dar apoio".
Senti dó. Vida que segue.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

02/01/2018

Aproximadamente às 17h do segundo dia do ano, no Ed. Chaplin - que fica em frente ao meu - uma moça pulou do sexto andar.
Da minha janela era possível enxergar duas viaturas da PM, um carro do corpo de bombeiros, um carro de socorrista e alguns curiosos espiculando.
O dia estava nublado, ligeiramente frio e ventava atipicamente.
A primeira versão - que eu não acredito- é a de que ela havia brigado com o namorado e então decidido ceifar a própria vida daquela maneira terrível.
Acredito que as pessoas que estavam ali não eram uma fonte confiável de informações, levando em consideração que há uma forte tendência nas pessoas em inventar histórias, principalmente em tragédias como essa. Segundo, que acho escrota a maneira como as pessoas reduzem os problemas da vida de uma mulher a um relacionamemto mal sucedido, ignorando o peso e as dores de viver em uma sociedade em que nos esmaga, oprime e exige que sejamos que esperam. Ora, existem muitas outras angústias no coração de uma mulher que poderiam levar a uma situação extrema como essa.
A psicologia explica que o instinto humano é de preservaçã, a pessoa que atenta contra a própria vida não está apenas sofrendo, está doente.
Sei que existem muitos casos de mulheres desesperadas que tomam essa iniciativa por causa de um homem, um namoro e até casamento que não deu certo.
A mim, resta a tristeza porque as pessoas que estavam reunidas ali, apenas estavam preocupadas com o motivo e não com o fato. Ninguém se importa com nada.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Joaninha

Era uma manhã de sol, como outras tantas, mas aquela seria diferente.
Levantou sonolento, e logo avistou um pontinho na parede. Dormira acompanhado e nem sabia, agora tinha uma nova amiga, que cuidava com zêlo: uma joaninha amarela.
Chegou empolgado da escola para brincar com ela, mas ao chegar aprendera uma de tantas lições que a vida ainda ensinaria: não se pode aprisionar quem nascera para voar. Reflexivo, ligou o velho vídeo-game e aos poucos foi como se ela nunca tivesse existido.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

O castanho dos teus olhos

Foi o castanho dos teus olhos que juntaram os pedaços quebrados dentro de mim.
Foram esses malditos olhos castanhos que tornaram sinuosas as estradas da minha vida, e numa dessas curvas, embriagada pelo mel dos teus olhos, eu me perdi e nunca mais encontrei o caminho de volta.
Através do castanho dos seus olhos, eu conheci as mais lindas e intensas cores que existem.
Enxergar o meu reflexo nos teus brilhantes olhos castanhos é o que me traz paz, é o que faz a vida ganhar sentido.
Ah, esses olhos... eles alinham os planetas do meu Universo e fazem com que eu nao queira encontrar o caminho de volta.
Cada vez que meus olhos fitam os seus, é como se o Sol estivesse nascendo dentro mim, com toda sua imponência, luz e calor.
O brilho dos teus olhos castanho, me ilumina, me aquece e me hipinotiza.
Garoto, teus olhos castanho são a coisa mais linda que eu já vi.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

A cidade dorme

A cidade dorme lá fora e aqui dentro tudo é barulho e confusão.
Eu olho pela janela, procurando em meio aos inúmeros prédios vizinhos, outra janela acesa, econtro uma ou duas.
 Nessas raras luzes da madrugada, sinto compreensão daqueles que também não dormem, rebeldes noturnos.
Embora eu não conheça essas pessoas e tampouco saiba o motivo por estarem acordadas às 3h30 a.m., penso que talvez ali também more um coração inquieto, barulhento e confuso.
Ás vezes a única coisa que a gente quer, é sentir que faz parte de algo, e eu me sinto parte quando as poucas luzes acendem na madrugada.
Invento teorias sobre o que estão fazendo e sentindo. Como eu queria que me vissem, que soubessem que também estou em agonia.
Elas nem sabem, mas suas luzes acesas confortam o meu coração enquanto os "normais" dormem.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Um dia qualquer


Era um dia como tantos. Cada qual concentrado em seu trabalho: pressa, estresse, a rua barulhenta, buzinas, freadas bruscas, vozes aleatórias, risadas...
A felicidade alheia é engraçada se observada de longe.
Foi quando aconteceu, não sei como, mas aconteceu. O tempo parou, as pessoas que corriam agora andavam sem pressa, era como assistir a cena de um filme em câmera lenta. Os faróis dos carros, as luzes dos sinaleiros e os letreiros iluminados fundiram-se em uma única visão embaçada em preto e branco. 
Os barulhos misturaram-se. Por mais intenso que havia sido segundos antes, agora se afastavam; sentia-me em uma redoma de vidro.
Senti lentamente, nas costas, uma perfuração, era gelado, os segundos passaram-se em horas. Encontrava-me sem ar e sem compreender a situação.
Pelas costas, escorria um liquido denso e quente, o quente contrastava com o gelo que me tomava a vida em segundos tão demorados. Caí de joelhos, olhei lentamente para baixo, tudo o que consegui ver foi sangue. Caída no chão, ainda vendo o mundo embaçado... Os carros continuavam a passar...