terça-feira, 1 de maio de 2018

Crônicas de ônibus #2

Era por volta de 8h30, o ônibus estava cheio de pessoas indo para o trabalho. Meio solenta, demorei a perceber que uma voz quebrava o sagrado silêncio matinal. Procurei a voz, para que eu pudesse ver o rosto, foi quando comecei a prestar atenção no conteúdo da conversa.
Era uma mulher de uns 30 anos, bonita, que falava ao celular com o marido. Durante o percurso discutiram as contas da casa, ela o cobrou sobre a destinação do dinheiro dele, contou sobre os acontecimentos do dia anterior, sobre a escola do filho pequeno. Em tom mais baixo, mas ainda muito nítido, ela reclamou sobre eles não terem um tempo só para eles, porque o filho não dormia cedo e depois já estava muito tarde. Houve tempo para um início de D.R. e também para declarações de amor.
Desembarquei, ela continuou.
Pude perceber que tratava-se de uma pessoa que saia cedo de casa e voltava tarde, talvez em decorrência do trabalho ou curso/faculdade. Eu senti uma profunda tristeza por ela, por eles. Um casal que não tinha tempo nem para conversar pessoalmente sobre as contas de casa. Tive medo de um dia ser essa mulher. Desejei em pensamento que a vida dela melhorasse e fui trabalhar.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

O primeiro trabalho

Gostei do insith do último texto e vou contar sobre minhas experiências profissionais, certamente mantendo o sigilo sobre os envolvidos.

Tenho certa dificuldade em chamar o primeiro trabalho de trabalho, pois eu era meio que freelancer em um negócio da família e, acreditem, trabalhar para/com a família é uma coisa inclassificável (não sei se essa palavra existe).
Me sentia muito adulta trabalhando, mas não fazia ideia de que eu estava sendo protegida de todas as partes ruins. Nem sempre acordava cedo, não batia ponto, não pegava no pesado, o horário de almoço às vezes emendava com o do café da tarde e basicamente eu tinha que organizar coisas, sorrir e ser agradável. Enquanto as pessoas eram igualmente agradáveis, porque além de eu ser praticamente uma criança, sabiam que minha presença ali não iria interferir em nada. Não me viam como uma ameaça.
Pois bem, a primeira lição do primeiro trabalho é a de que não se deve misturar família e trabalho, embora muita gente consiga - mesmo que se matem às vezes. rs
Porque da mesma maneira que determinadas vantangens se apliquem apenas a você, determinadas *desvantagens* também são exclusivamentes aplicadas a você.
O relacionamento entre colegas de trabalho e superiores hierárquicos exige distância pessoal, respeito, uma dose extra de paciencia, profissionalismo, etc. Elementos que muitas vezes faltam no relacionamento familiar, e é aí que as coisas vão por àgua a baixo.
Certa de que eu já havia aprendido muito sobre trabalho, cursando o ensino médio e com um curso de inglês incompleto, elaborei um currículo, acreditando estar muito preparada e qualificada para o mercado, me joguei.
Que saudade dessa autoconfiança juvenil!

                                                    (Continua...)

A menina que labutava

Trabalhar desde os dezesseis anos fez com que hoje, aos vinte e quatro, eu estivesse na décima quarta experiência profissional.
Eu pude conhecer vários tipos de empresas, chefes, colegas, funções, métodos de organização e administração, etc. Todas essas experiências trouxeram mais do que qualificação, trouxeram um aprendizado de vida sem igual.
Tive chefes bons e ruins, conheci colegas com vontade de ajudar e outros dispostos apenas a puxar o tapete, conheci gente que fingia ser boa e era má, também as que fingiam ser más, mas eram boas. Aprendi a acatar ordens – mesmo meio contrariada- aprendi que eu erro e, muito, aprendi que no ambiente de trabalho não se faz amigos, mas também aprendi a lidar com os “espertinhos”. Não dá para listar todo o conhecimento adquirido ao longo desse tempo, e ainda tenho tanta coisa para aprender.
Eu poderia fazer um texto* sobre cada um desses lugares e ainda não teria como transmitir tudo o que foi acrescentado ao meu modo de entender a vida.
Uma coisa que ainda não aprendi com todos esses trabalhos, é a controlar a insegurança e ansiedade. A minha 14ª experiência começou há mais ou menos duas semanas, e eu já perdi algumas noites de sono me perguntando se eu vou conseguir entregar um bom trabalho, se estou me dedicando o suficiente, se vão me despedir após o contrato de experiência.
Trata-se de um trabalho pelo qual eu pedi muito e agora que consegui, não sei se vou aguentar.
Depois da penúltima oportunidade eu havia prometido para mim mesma que não perderia a saúde por outro trabalho, e aqui estou... é feriado e eu só me pergunto se vou conseguir entregar o relatório na quarta.

*É uma boa ideia, inclusive.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Crônicas de ônibus #1

Nos quase quarenta minutos que passo dentro do ônibus indo para o trabalho, muitas coisas interessantes acontecem, as pessoas se expõem e nem se dão conta.

Resolvi então, relatar as histórias que achei mais interessantes, aqui segue uma delas.

Duas moças conversavam sobre suas graduações, quando uma delas resolveu dar mais detalhes sobre seu caminho acadêmico e profissional.
Contou que era secretária de uma multinacional e seu chefe havia prometido uma promoção, para tanto, ela teria que fazer um curso de graduação. A moça gostaria de se inscrever no curso de secretária executiva, mas sua sogra não concordava com isso e a "obrigou" a cursar administração. De tanto odiar o curso, ela trancou a faculdade. Não foi promovida e perdeu o emprego, além de ter terminado o relacionamento.

Resolveu que com tanto tempo livre, ela poderia trabalhar em dois novos empregos e dobrar sua renda.
Até que um dia, recebeu uma resposta de uma vaga que havia se candidatado
Foi convocada para uma dinâmica de grupo. 
Compareceu, mesmo acreditando que não conseguiria o trabalho, porque tinha muita concorrência. Apresentou-se, fez o que foi pedido e pediu para sair mais cedo, pois tinha que trabalhar. Dias depois, recebeu uma ligação avisando que ela havia sido aprovada, que no meio de tanta gente gostaram muito dela porque ela era muito segura. Foi contratada para um cargo bom em um banco, ganhando ainda mais do que ela ganhava trabalhando em dois empregos.

Achei uma história motivacional e de superação. E eu queria mandar 2 beijos para a ex sogra dela.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

02/01/2018

Aproximadamente às 17h do segundo dia do ano, no Ed. Chaplin - que fica em frente ao meu - uma moça pulou do sexto andar.
Da minha janela era possível enxergar duas viaturas da PM, um carro do corpo de bombeiros, um carro de socorrista e alguns curiosos espiculando.
O dia estava nublado, ligeiramente frio e ventava atipicamente.
A primeira versão - que eu não acredito- é a de que ela havia brigado com o namorado e então decidido ceifar a própria vida daquela maneira terrível.
Acredito que as pessoas que estavam ali não eram uma fonte confiável de informações, levando em consideração que há uma forte tendência nas pessoas em inventar histórias, principalmente em tragédias como essa. Segundo, que acho escrota a maneira como as pessoas reduzem os problemas da vida de uma mulher a um relacionamemto mal sucedido, ignorando o peso e as dores de viver em uma sociedade em que nos esmaga, oprime e exige que sejamos o que esperam. Ora, existem muitas outras angústias no coração de uma mulher que poderiam levar a uma situação extrema como essa.
A psicologia explica que o instinto humano é de preservaçã, a pessoa que atenta contra a própria vida não está apenas sofrendo, está doente.
Sei que existem muitos casos de mulheres desesperadas que tomam essa iniciativa por causa de um homem, um namoro e até casamento que não deu certo.
A mim, resta a tristeza porque as pessoas que estavam reunidas ali, apenas estavam preocupadas com o motivo e não com o fato. Ninguém se importa com nada.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Joaninha

Era uma manhã de sol, como outras tantas, mas aquela seria diferente.
Levantou sonolento, e logo avistou um pontinho na parede. Dormira acompanhado e nem sabia. Agora tinha uma nova amiga, que cuidava com zêlo: uma joaninha amarela.
Chegou empolgado da escola para brincar com ela, mas ao chegar aprendera uma de tantas lições que a vida ainda ensinaria: não se pode aprisionar quem nascera para voar. Reflexivo, ligou o velho vídeo-game e aos poucos foi como se ela nunca tivesse existido.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

O castanho dos teus olhos

Foi o castanho dos teus olhos que juntaram os pedaços quebrados dentro de mim.
Foram esses malditos olhos castanhos que tornaram sinuosas as estradas da minha vida, e numa dessas curvas, embriagada pelo mel dos teus olhos, eu me perdi e nunca mais encontrei o caminho de volta.
Através do castanho dos seus olhos, eu conheci as mais lindas e intensas cores que existem.
Enxergar o meu reflexo nos teus brilhantes olhos castanhos foi o que me trouxe paz, é o sentido de tudo.
Ah, esses olhos... eles alinham os planetas do meu Universo e fazem com que eu nao queira encontrar o caminho de volta.
Cada vez que meus olhos fitam os seus, é como se o Sol estivesse nascendo dentro mim, com toda sua imponência, luz e calor.
O brilho dos teus olhos castanho, me ilumina, me aquece e me hipinotiza.
Garoto, teus olhos castanho são a coisa mais linda que eu já vi.