segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Crush errado

Com certeza você se identificará com um dos personagens que o texto a seguir apresentará ou provavelmente já viu de perto isso acontecer.


Em todas as turmas há os tipos: bonitões, nerds, excluídos, esportivos, patys, rockeiros, etc... Então a gordinha da sala se apaixona pelo bonitão popular, ela se aproxima dos amigos dele, é m longo e árduo caminho, até que por fim torna-se ‘amiga’ do objeto desejado. Ele é o Sol e também o ar que ela respira, sua vida só tem sentido porque ELE EXISTE, ela guarda a água dele, leva bala e afins só porque ele gosta, até comprou uma caixinha do grafite que ele usa o 0,7 para caso um dia fosse necessário, ela compra todos os dias um pacotinho de amendoim – mesmo sendo alérgica – mas ele ama essas bolinhas salgadas. Ela ri das piadas sem graça que ele conta. E quando ele sorri... Ah! Quando ele sorri, o mundo se enche de graça.
Ela está sempre apostos para ser útil em qualquer situação que ele precise, é por causa dele que ela acorda cedo e vai para a aula, quando ele falta tudo fica sem graça, é como um grande vazio que nunca seria preenchido, o dia se perde e as horas não passam.
Para ele, ela é uma boa companhia e no máximo uma boa amiga. Como todo bom homem, ele não percebe que ela suspira as inicias do nome dele e provavelmente na ultima folha do caderno o nome dela está escrito junto ao dele, seguido de um “para sempre” e do lado um coração. Ela pesquisou as bandas que ele gosta e os programas de TV, para que eles surpreendentemente tivessem ‘coisas em comum’ e esse fosse o motivo pelo qual os dois devessem procriar.
A gordinha acha que tem condições... Se ele não fosse o carinha mais cobiçado do Colégio... Quem sabe.
No auge dos devaneios que o sorriso  dele causou, entra ela: a bruxa, a vadia, a piranha, a ladra de namorados, e todos os adjetivos ruins que existem, ela rouba a atenção que o bonitão dava a gordinha quase que por dó, seus olhos murcham e passam pelo menos cinco maneiras criativas de matar a sua ‘concorrente’ pela cabeça, porem a melhor estratégia no momento é se enturmar na conversa.
Eis que o pior acontece, ele pede a ‘Maria qualquer uma’ em namoro, é hora de colocar em prática todas as teorias possíveis para separar o casal e de nada adianta, como ela poderia concorrer? A menina é bonita, interessante, tem um lindo corpo, é popular, todo mundo parece gostar dela.
Com mais garra ela foca no objetivo, tenta passar por cima de toda dor que esse ‘namorico sem fundamento’ causa, não deixa uma lágrima escorrer em publico, se consola dizendo a si mesma “É passageiro!”. Enquanto não passa, ela fica o ouvindo suspirar pela namoradinha e como foi legal à tarde que passaram juntos.
Cada vez que o casal feliz surge, ela ignora a presença feminina, olha para os lados e para baixo, deixando ás vezes se levar pelo rosto angelical do amado e deixa transparecer seu amor.
Mesmo com tudo indo contra seu amor, ela possui boa parte de sua atenção, conforma-se em ser apenas amiga, porque é melhor tê-lo em sua vida dessa forma do que não tê-lo de forma alguma, ainda há esperança de que um dia ele reconheça tudo que foi feito em prol dele e que a única pessoa no mundo capaz de amá-lo verdadeiramente é ela. Todos os dias ela deliria com a seguinte cena: ‘ele percebe que a ‘Maria qualquer coisa’ não é boa o suficiente para ele, lembra-se de quem esteve ao seu lado o tempo todo e vai correndo ao seu encontro, (em câmera lenta) ele a beija sem que nenhuma palavra seja dita’.
Enquanto isso não acontece, todas as vezes que a dor fica insuportável e a consome por dentro, ela corre para o banheiro, se tranca na ultima cabine e chora.
Ele nunca vai amá-la e por mais que ela saiba disso a esperança não a deixa, mesmo que cultivar essa dor signifique matá-la um pouco por dia.

                                                      

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Um dia qualquer


Era um dia como tantos. Cada qual concentrado em seu trabalho: pressa, estresse, a rua barulhenta, buzinas, freadas bruscas, vozes aleatórias, risadas...
A felicidade alheia é engraçada se observada de longe.
Foi quando aconteceu, não sei como, mas aconteceu. O tempo parou, as pessoas que corriam agora andavam sem pressa, era como assistir a cena de um filme em câmera lenta, os faróis dos carros, as luzes dos sinaleiros e os letreiros iluminado fundiram-se em uma única visão embaçada em preto e branco. Os barulhos misturaram-se, por mais intenso que havia sido segundos antes, agora se afastavam; sentia-me em uma redoma de vidro.
Senti lentamente, nas costas, uma perfuração, era gelado, os segundos passaram-se em horas. Encontrava-me sem ar e sem compreender a situação.
Pelas costas, escorria um liquido denso e quente, o quente contrastava com o gelo que me tomava a vida em segundos tão demorados. Caí de joelhos, olhei lentamente para baixo, tudo o que consegui ver foi sangue. Caída no chão, ainda vendo o mundo embaçado... Os carros continuavam a passar...

domingo, 3 de outubro de 2010

Privação

  Não prive as crianças dos erros, pois errando elas aprenderão. Não as prive de quebrarem louças, não as prive da “moda do momento”, não prive as crianças de serem crianças.
   E quando a hora chegar, não prive seu filho adolescente de ir ao boteco sujo com os amigos e tomar seu primeiro porre. Por mais que ele se torne alcoólatra e vá beber todos os dias no mesmo boteco, jamais seria como a primeira vez com a
 galera. Não prive os adolescentes dos perigos e encantos da noite, não os repreenda quando seus dias de rebeldia chegarem, instrua-os com amor e permita que seu filho cometa erros, não o prive das lembrança que o tempo não apagará; sexo drogas e Rock’n Roll fazem parte. Não prive um adolescente de ser adolescente. Esse será o tempo em que surgirão as estórias que serão contadas aos seus netos, é essa a juventude que se tem e que vai embora antes que possamos perceber.
   Não repreenda seu filho pelas roupas que ele escolheu, ao exigir perfeição, ele errará muitas vezes e o jeito com que você lidará com esses erros pode definir quem seu filho será.
Ele chegará em casa tarde e bêbado, não o prive disso. Ele passará por momentos difíceis, seja compreensivo; você não é feliz 24 horas por dia, não espere que ele seja.
   Talvez você ganhe um neto antes do esperado, talvez ele seja gay, talvez ele seja músico, dançarino ou ator.
   A maneira a qual seus pais agiram com você não é desculpa para o que você faz com seu filho.
   Deixe-o viajar, sonhar, criar, desejar, amar, errar, sofrer...
   Permita que ele seja ele mesmo! Não o prive do dia nem da noite, você o cria para a vida, e não para si.
   Não prive um adolescente da vida, que pode ser tão doce e tão amarga ao mesmo tempo.
   E lembre-se: você já fez tudo isso.